Mídia: a produção do consenso e a cultura da violência.

ISBN: 978-85-7993-453-7

Autor/Organizadores: Dabel Cristina Maria Salviano; Maria Silvia Rosa Santana; Susy dos Santos Pereira

“Eles querem te vender, eles

querem te comprar

Querem te matar a sede, eles

querem te sedar

Quem são eles?

Quem eles pensam que são?

Vender…comprar…vedar os olhos

Jogar a rede contra a parede

Querem te deixar com sede

Não querem nos deixar pensar

Quem são eles?

Quem eles pensam que são?”

(3ª do Plural – Engenheiros

do Hawaii – 2002)

 

 

 

TEMPO DE RESISTÊNCIA

Há quase 2 anos, quando da realização do SCIENCULT, que deu origem aos artigos e a esse livro, me solicitaram que fizesse a apresentação para sua publicação.

 

Naquele momento, e já vinha de longe, se percebia claramente, e esse era o tema do Simpósi, a capacidade da manipulação midiática utilizando as informações exclusivamente para seus objetivos e interesses, sendo elas verdadeiras ou não.

 

O objetivo de toda aquela manipulação, naquele momento, era criar um clima favorável a um Golpe de Estado,diferente em tudo do que a bibliografia clássica já tinha visto e estudado. Os defensores do Golpe insistiam em dizer que não era Golpe porque estava previsto na Constituição e faziam as eternas referências aos golpes clássicos.

 

Muito de tudo que os participantes do SCIENCULT diziam parecia algo distante, que não se percebia, mas nunca se viu tanta contemporaneidade. Registravam o momento exato que viviam. Percepções afloradas. Em tão pouco tempo tudo veio

a se confirmar.

 

Se anos atrás, para alguns, parecia elucubração pensar em um Estado Teocrático Fascista, hoje parece que apenas aguardam alguém dizer que vivemos sob tal regime. Impossível não visualizar as evidências de todos os dias. No caso de hoje, por exemplo, tivemos o túmulo de Chico Xavier depredado por manifestantes religiosos; uma Igreja Católica foi invadida por uma Sra. e 18 imagens e alguns quadros foram destruídos; um Reitor de uma Universidade Federal deu fim à vida após ser preso e mantido incomunicável em uma investigação de fatos ocorridos 10 anos antes dele ser Reitor.

 

Fatos isolados? – Não! Todos os dias fatos e mais fatos, como esses, estão ocorrendo por todo país. Passando por peças teatrais, museus, exposições de Artes e livros recolhidos a mando do MEC. Com o Golpe vivemos um processo acelerado de recolonização, com as nossas riquezas nacionais “vendidas” a preço de banana; setores estratégicos, como portos, aeroportos e usinas hidrelétricas passando para a administração de empresas estrangeiras, sem considerar o projeto de privatização da Eletrobrás.

 

O mundo acadêmico, que poucas vezes conseguiu deixar claro qual o papel da Universidade Brasileira em seu processo de formação humana e desenvolvimento econômico, hoje vive totalmente marginalizado pelos organismos governamentais. A morte do Reitor veio nos mostrar que o objetivo é o fim a Universidade Pública, que começa a passar por um processo de execração midiática, assim como grandes empresas, que desenvolviam tecnologia, como a Petrobras e a Odebrecht.

 

A Energia Nuclear Brasileira, desenvolvida a partir de convênios entre Universidade e setores das Forças Armadas e considerada uma das mais avançadas do mundo, é entregue ao Capital internacional em gesto que vai além do humilhante. Pessoas são colocadas na mesma condição de execração, acusadas sem qualquer prova, mas com muita convicção, uma prática que se alastra por todos os lados e por todas as relações que vamos percebendo, como se fossem uma onda, em atitudes autoritárias e absolutas. É muito mais fácil ser autoritário. Basta apenas a posição hierárquica. E a cada pessoa o sentimento de se fazer justiça com as próprias mãos.

 

Sim! Foi isso o que o Golpe trouxe: uma Ditadura Descentralizada, uma ditadura onde cada um se coloca no direito de fazer o que bem entende, bastando para isso apenas a sua convicção. E já não conseguimos mais identificar, em nossa sociedade, a que Instituição cabe o papel de formação do ser humano e a que Instituição é legado o papel de defensor das conquistas civilizatórias.

 

A que interessa a Democracia ao Capital? A que interessa a República ao Capital? A que interessa ao Capital os Direitos Trabalhistas? A que interessa ao Capital qualquer Programa de Integração Social? A que interessa ao Capital o Desenvolvimento Tecnológico do Brasil?

 

Para a atual Divisão Internacional do Trabalho, na correlação de forças da Geopolítica Mundial, o Brasil é colocado na condição que nunca deveria ter tentado romper, por algumas vezes durante o século XX e nessa última década. Desonradamente os traidores da Pátria se orgulham de entregar o País ao Capital internacional. São tempos difíceis! Difíceis para todos que sonham com uma Nação Justa e Soberana. Difíceis para quem tem coração! Quase insuportável pra quem tem Memória. As percepções de hoje ainda continuam causando um dar de ombros por alguns.

 

Não conseguem perceber o caminho que tudo tomou e muito menos onde essa História pode chegar. É tempo de Resistência.

Djalma Querino de Carvalho

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