Educações na contemporaneidade: reflexão e pesquisa.

ISBN eBook – 978-85-7993-099-7 Impresso – 978‐85‐7993‐087‐4

Autor/Organizadores: Sueli Aparecida Itman Monteiro; Ricardo Ribeiro; Sebastião de Souza Lemes; Luci Regina Muzzeti

PREFÁCIO

 

 

É com grande satisfação que apresento este conjunto de textos, reunidos no livro “Educações na Contemporaneidade: reflexão e pesquisas”, sob coordenação dos Profs. Sueli Aparecida Itman Monteiro, Ricardo Ribeiro, Sebastião de Souza Lemes e Luci Regina Muzzeti.

 

Tal livro possibilita a integração de um grupo de pesquisadores – professores e orientandos de Pós‐graduação na Área de Educação ‐, cujos escritos se destinam a interpretar a realidade educacional e mostrar as vastas possibilidades que se apresentam na acolhida de novos fazeres e sentires. São temáticas que vêm sendo por eles desenvolvidas por meio de estudos financiados e estimulados por órgãos de pesquisa, tais como a CAPES, a FAPESP e o CNPq, e que representam parte significativa tanto da produção dos autores, quanto da própria área em questão.

 

Para o conhecimento e a compreensão do leitor, anuncio, texto a texto, os pontos essenciais que movimentam tais reflexões e pesquisas.

 

Para Ana Vieira Pereira e Ricardo Ribeiro, em seu texto A FIGURA DO TUTOR NA ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NO ENSINO MÉDIO, o edifício escolar se ergue enquanto metáfora do próprio mundo, ou seja, uma pequena comunidade, uma verdadeira sociedade com o seu poder de construir ritmos, processos, respostas, ações, despertar ou adormecer vocações e movimentos. Como campo de experimentação e de transformação social, a inserção da figura do tutor nos processos educativos anuncia‐se enquanto caminho viável.

 

Graziele Cristine Moraes da Silva e Márcia Rita Mesquita Ferraz de Arruda abordam, no artigo AS EXPRESSÕES NUMÉRICAS, O Contig 60® E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL I, a importância de uma reparadigmatização docente, acentuando a necessidade de um novo olhar para a formação e a ação docente, para as relações que permeiam a sala de aula e para a Organização Matemática, tendo‐se em vista que ainda estão impregnadas de uma razão instrumental, que se direciona prioritariamente ao ensino conteudista.

 

 Já em IDENTIDADES E REPRESENTAÇÕES NA ESCOLA INCLUSIVA, a pesquisadora Relma Urel Carbone Carneiro nos conduz à idéia de escola inclusiva, que deve ser movida pela necessidade de reorganização da cultura estabelecida. Essa dinâmica implica em transformar a identidade escolar, a começar pelo projeto político pedagógico, que deve ser um de seus pilares de sustentação. Para a autora, esse princípio passa pela internalização do conceito da diversidade e pela acolhida do aluno deficiente, enquanto elemento constituinte da condição de humano.

 

No texto OS ESTILOS COGNITIVOS DE DEPENDÊNCIA E INDEPENDÊNCIA DE CAMPO NA EDUCAÇÃO: UMA TRAJETÓRIA CONCEITUAL NA DIREÇÃO DO ENSINO E DA APRENDIZAGEM, de Sebastião de Souza Lemes, encontramos subsídios para a educação escolar quanto ao respeito e à compreensão do diverso e, com efeito, à individualidade de cada ser, segundo os Estilos Cognitivos desenvolvidos.

 

 A educação, enquanto caminho para a comunicação e para a formação humana, é a preocupação de Marcela Lopes Gomes. A partir da categoria do dialogismo, formulada por Mikhail Bakhtin, onde ʺserʺ implica em ʺcomunicar‐seʺ  através do diálogo, a autora acredita que possa se realizar o processo de humanização, idéias que são expostas em seu texto LINGUAGEM E EDUCAÇÃO: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES EM TORNO DA CONCEPÇÃO BAKHTINIANA DO DIALOGISMO.

 

Numa destas facetas da humanização dos processos educativos somos levados aos universos da gestão das políticas públicas destinadas à escolarização. Para tanto, Silvio Militão analisa, em MUNICIPALIZAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL EM SÃO PAULO NO CONTEXTO DO FUNDEB: NOVO FUNDO, VELHAS TENDÊNCIAS, como o processo de municipalização do ensino fundamental desencadeado no Estado de São Paulo, um dos mais afetados pelas decorrências do FUNDEF, comporta‐se em tempos de FUNDEB.

 

João Ernesto Nicoleti, através do artigo A MUNICIPALIZAÇÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL NA REGIÃO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, dá continuidade à temática, ao apresentar estudo realizado junto à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (SEE), no qual trata da mudança das diretrizes e a implantação do processo de municipalização em escolas de ensino fundamental de três Diretorias de Ensino de uma Região do Estado de São Paulo.  

 

Num exercício de deslocamento do macro universo da gestão educacional, adentramos ao micro universo da sala de aula, sobre o qual Euzânia Ferreira Andrade, em A ARTE COMO UMA REDE DE FIOS PARA TECER UM MUNDO SENSÍVEL ‐ DIREITO DA CRIANÇA, fala‐nos dos significados da arte na educação infantil, como tal questão é tratada na escola e do direito da criança de ter uma educação sensível para a sua formação integral.  

 

Caminhando em complementaridade à essência da questão acima posta, Leandro Durazzo e Denis Domeneghetti Badia, no texto DINÂMICAS DA ALTERIDADE: O ROLE PLAYING GAME (RPG) COMO NARRATIVA DO IMAGINÁRIO, evidencia o uso educacional da narrativa própria do RPG, porque o mesmo possibilita que seja liberado um potencial lúdico e de sensibilização de seus praticantes, levando‐os a uma reflexão sobre e sob a alteridade. Desta forma, a reelaboração de paradigmas, visões de mundo e preconceitos podem ser alcançadas a partir de uma dinâmica educacionalmente orientada para tal, permitindo que a sensibilização ao outro aconteça.

 

Débora Raquel da Costa Milani, em seu estudo MULTICULTURALIDADE NA ESCOLA E OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO, fundado num olhar complexo que pretende compreender o diverso nas culturas escolares, discorre sobre o saber nas relações existenciais e considera a escola, em sua multiculturalidade, como organização livre e dinâmica, disposta às novas possibilidades que se apresentam, incluindo‐se aí os meios de comunicação.

 

Neste apontar de caminhos para as “educações contemporâneas”, Rosilene Batista de Oliveira Fiscarelli e Silvio Henrique Fiscarelli direcionam seus estudos para o uso de novas tecnologias na educação. No texto TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO: DOS OBJETOS REAIS AOS OBJETOS VIRTUAIS, mostram que os objetos possuem um lugar de destaque nos processos educativos, sejam eles físicos ou virtuais, pois é através do uso apropriado e planejado dos mesmos que são promovidos benefícios pedagógicos significativos, dentre eles o de despertar ou aumentar o interesse dos alunos sobre um determinado assunto, desenvolver hipóteses, testá‐las, analisar os resultados e aperfeiçoar os conceitos.

 

Pondo agora em foco os estudos que se referem a gênero, corpo, sexualidade e direitos humanos nas educações, Luci Regina Muzzeti, Sônia Maria Duarte Grego e Cássia Regina Coutinho Sossolote fundam‐se nos pressupostos teóricos de Pierre Bourdieu para analisar, em ESCOLA NORMAL, GÊNERO E EDUCAÇÃO, as trajetórias sociais de duas professoras, formadas nos anos 40 na cidade de São Carlos, identificando as disposições por elas assimiladas no antigo Curso Normal, que influenciaram concepções, conhecimentos, escolhas profissionais e pessoais, segundo o mercado de bens simbólicos culturalmente constituído.

 

Rita de Cássia Petrenas nos traz um panorama atualizado sobre a temática “Educação, Gênero e Sexualidade”, no artigo SEXUALIDADE E FORMAÇÃO DOCENTE: PESQUISAS, PERSPECTIVAS E CONSTRUÇÕES, organizado a partir do levantamento das pesquisas apresentadas nas várias edições do ENDIPE, evento de âmbito nacional, que tem como premissa a questão da formação docente e da pesquisa na área educacional.

 

No que trata aos universos escolares, Gregory de Jesus Gonçalves Cinto, Romualdo Dias e Sueli Aparecida Itman Monteiro compõem o texto CORPO E ESCOLA: DISPOSITIVOS DE CONTROLE E ESTRATÉGIAS DE RUPTURA, no qual relatam observações sobre como a escola considera o corpo e a forma como esse se insere no trabalho educacional. O corpo incomoda a escola, o currículo, o educador, razão pela qual os autores transformam este incômodo em objeto de estudo: um excelente recurso de demarcação de fronteiras, nas quais se situam as implicações mútuas entre os processos educacionais e os processos de subjetivação.

 

Cleuza Maria Abranches Pena e Arilda Inês Miranda Ribeiro, em seu escrito PESQUISAR GÊNERO E SEXUALIDADE NO RECREIO ESCOLAR: SIGNIFICAÇÕES SUBJETIVIZADAS, defendem a idéia de que alguns modos de agir, de brincar e de ocupar espaços, entre as crianças, no recreio escolar, estão ligados à construção das identidades sexuais e de gênero.

 

Andreza Marques de Castro Leão e Paulo Rennes Marçal Ribeiro, diante da complexidade identificada junto ao cotidiano de professores e crianças de Educação Infantil, relatam, em SEXUALIDADE SEM TRAUMA: TRABALHANDO GÊNERO E CORPO COM CRIANÇAS DE UMA ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL, trabalho desenvolvido, que teve como foco central as questões de gênero e corpo.  

 

No artigo DIREITOS HUMANOS NA ESCOLA, Tânia Suely Antonelli Marcelino Brabo defende a consolidação da educação em direitos humanos, ao salientar vários e importantes aspectos sobre o tema. A autora realça a questão da igualdade de gênero e afirma que a concretização do ideal de educação para a emancipação humana depende da transformação das mentalidades e práticas cotidianas, individuais e coletivas, que historicamente são reafirmadas nas organizações sociais e educativas.

 

Para além dos muros escolares, Claudia Roberta Zanchin Vanzo e Maria Fernanda Jorge Rocha nos trazem experiência de acolhida e acompanhamento realizada em Programa de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto e confirmam a importância, neste universo, da figura de um psicólogo educador social, que possua um olhar sensível voltado ao ato infracional e ao adolescente que o praticou. Essas afirmações estão presentes no texto: A PRESENÇA DO PSICÓLOGO EDUCADOR SOCIAL EM UM PROGRAMA DE MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS EM MEIO ABERTO.

 

E para o encerramento deste livro, que se propõe à sensibilização e à ressignificação dos caminhos educativos em todos os seus níveis e espaços, Leandro Osni Zaniolo e Marta Regina Sene nos apresentam, em INCLUSÃO SOCIAL E TERAPIA COMUNITÁRIA: OS PROCESSOS EDUCATIVOS DAS PRÁTICAS SOCIAIS NA PROMOÇÃO DE REDES HUMANITÁRIAS, proposta de Terapia Comunitária, enquanto modalidade de trabalho desenvolvido em grupo, que objetiva o acolhimento e a escuta sensível de sofrimentos e conflitos humanos e se destina à promoção de redes humanitárias, organizadas de forma horizontalizada e circular, e viabilizadas a partir de processos educativos inerentes às práticas sociais.

 

Finalmente, ao concluir este prefácio, não posso deixar de tecer considerações a respeito da beleza e originalidade de sua capa, um excelente trabalho de Eliana Braga Aloia Atihé, onde se reflete a proposta fluida e complexa desta obra, tal qual a própria contemporaneidade e as educações que são tecidas através dos olhares, abundantes, fomentados enquanto necessidade das múltiplas culturas presentes nos cotidianos escolares e, para além deles, em espaços diversos.  

 

Parabenizo, pois, os organizadores deste livro, pela seleção e ordenação harmônica dos trabalhos apresentados, e os seus autores, que substantificaram‐no através de reflexões e caminhos inusitados apontados para as educações na contemporaneidade.

 

Despeço‐me, assim, desejando boas leituras a todos!                                                              

 

Profa. Dra. Maria do Rosário Silveira

Porto FEUSP, dezembro de 2011.  

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