Formação Docente e Diversidade: Linguagens, Educação e Questões Contemporâneas.

ISBN 978-85-7993-613-5

Autor/Organizadores: Alan Silus; Gisele Morilha Alves; Liliane Pereira de Souza

APRESENTAÇÃO

 

 

Caro Leitor,

 

O que você irá ler nesta obra, é um trabalho árduo de pesquisadores que se reuniram para socializar as pesquisas desenvolvidas nos diversos contextos de atuação de cada um, ou dos pares, ou dos trios em que fazem parte os capítulos deste e-book. Alerto ainda a forma como são divulgadas tais pesquisas: no meio virtual, demonstrando assim uma prática de inovação, de colaboração e de alteridade.

 

Marília Amorim[1] atribui uma dimensão de diferença à alteridade, porque ela não trata de reconhecer diferenças e sim de apontar os diversos distanciamentos presentes, assim, pesquisar é uma forma de desvelar as alteridades presentes nos mais diversos espaços e situações em que profissionais com determinação, constroem novas fontes epistêmicas de manifestar o conhecimento científico.

 

Na primeira parte (Linguagens, Ambiente(s) e Formação) iniciamos com a leitura do texto de Alan Silus e Terezinha Lima intitulado “Trajetórias Formativas em Leitura e Escrita: memórias de professores do campo de MS” no qual os autores apresentam suas experiências de formação leitora com os discentes do curso de Educação do Campo em Campo Grande.

 

O segundo capítulo, dá prosseguimento às reflexões do anterior, uma vez que Célia Piatti discute a “Influência da Escola na Formação de Leitores e Professores-Leitores”. Com base na psicologia sócio-histórica de L. S. Vigotski, a autora discute as relações de leitura e formação dentro e para além da escola numa perspectiva da Educação do Campo.

 

Ainda no bojo das discussões sobre leitura adentramos em outro(s) ambiente(s) de alteridade: com Maria Elisa Vilamaior, Léia Lacerda e Maria Leda Pinto, temos um capítulo que dedica atenção às rodas de leitura na educação inicial de crianças indígenas. O texto “Rodas de Leitura com as Crianças Terena da Escola Municipal Sulivan Silvestre de Oliveira – Tumune Kalivono, Campo Grande, MS” nos provoca o quanto estudar e discutir as questões acerca da história e cultura indígena — mesmo não podendo negar que a origem do povo brasileiro constitui-se com os índios — denota total relevância para o país.

 

O jogo de palavras apresenta o texto seguinte da obra: “No A B C do RA, RÉ, RI, RO, RUA!” de Marta Catunda propõe uma leitura ecosófica, ambiental e “ecocrítica” dos cotidianos da Educação e suas ressonâncias sonoro-polifônicas que podem ser observadas através da escuta sensível. A título de informação, recordo aqui das aulas com R. Murray Schafer que certa vez pontuou que “alguns sons movem-se no espaço, outros não e podemos (ainda) mover alguns destes levando-os conosco[2] ”. Assim, a leitura do texto de Catunda nos leva a esse movimento-reflexão sobre os sons.

 

A segunda parte (Gênero, Raça e Formação Docente) inicia-se com uma importante discussão na atualidade: “Coisas de Meninas e Coisas de Meninos?” indagação feita por Gisele Alves, nos apresenta a inadequada forma em que os livros didáticos e paradidáticos tratam do tema gênero e sexualidade na Educação Fundamental.

 

No capitulo seguinte, Eugenia Marques e Wilker Silva tratam sobre “As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais: um instrumento para a descolonização do currículo escolar”. Os autores analisam e promovem reflexões acerca do conhecimento de legislações específicas ao tema por meio de entrevistas a professores e coordenadores de escolas de ensino básico.

 

Um estudo sobre a “Evasão Escolar das Profissionais do Sexo” é tema do capitulo escrito por Margarete Pasquoto. Calcado numa reflexão entre prostituição e evasão escolar, o texto conta com a análise de 8 entrevistas feitas com profissionais do sexo e no pensamento da autora, ainda carecemos de mais políticas de acesso e apoio a essas mulheres cuja profissão é popularmente conhecida com a mais antiga do mundo.

 

“Transgêneros: a vida para além da identidade” é o tema do capítulo escrito por Rodrigo Torraca. Segundo o autor, os transgêneros são indivíduos que transcendem ao gênero designado e cuja representação do gênero imposto não condiz com o que eles reconhecem como identidade, pois identidade de gênero não pode ser vista como uma representação única e total dessa pessoa. Ainda precisamos discutir e muito nas academias sobre essa temática, há um quantitativo muito pequeno de pesquisadores e um numero ainda menor de pesquisadores que relacionam este campo à educação.

 

A terceira e última parte desta obra (Alteridade(s), Políticas e Processos Educativos) inicia-se com o texto de Liliane Pereira, intitulado “Violências, Prisões, Escola e Juventude: um olhar para o Estado de Mato Grosso do Sul”, um tema muito pertinente para a Educação Básica, uma vez que os muros das escolas e das prisões têm se entrelaçado cada vez mais em comunidades carentes de muitas cidades de países subdesenvolvidos em todo o mundo.

 

No capitulo seguinte, Elaine Marangoni, embasada na Análise do Discurso Francesa, trata sobre “Ortorexia e Coaches: na busca pela saúde, emergem discursos de uma sociedade doente”. O discurso da boa saúde é uma prática constante com a ascensão das tecnologias de comunicação e informação, e o objetivo da autora foi apresentar os olhares para um funcionamento discursivo no qual a linguagem dos coaches foi fundamental para a produção dos sentidos.

 

A Teoria Foucaultiana é assunto para o penúltimo capítulo desta obra. Tatiana Lima, em “Histórias de Vida como Escrita de Si” propõe uma reflexão acerca de histórias de vida como escrita de si entre adolescentes abrigados ouvidos pela própria autora por meio de metodologia de pesquisa e análises específicas.

 

Por fim, o último capítulo “Educação com ênfase em Políticas Públicas: um estudo de Sorriso (MT) na perspectiva das cidades saudáveis” escrito por Marcus Benachio e Vitor Ribeiro Filho, aborda as definições sobre o movimento Cidades Saudáveis e suas relações com a Educação, trazendo uma visão holística, múltipla e abrangente frente à realidade da denominada “capital brasileira do agronegócio”.

 

Portanto, caro leitor, o estudo da obra “Formação Docente e Diversidade: linguagens, educação e questões contemporâneas” proporciona a você, amplos saberes acerca de uma variedade de temas relacionados à Educação e seus campos de estudos. Quero elogiar aqui cada um dos autores e principalmente aos organizadores, pela brilhante contribuição dada à ciência brasileira e desejo uma boa e profícua leitura!

 

Vinnícius Moriss

Austrália, outono de 2018.

 

1 A título de citação e informação, sugerimos a leitura de Dialogisme et Altérité dans les Sciences Humaines. Paris: Ed. L’Harmattan, 1996.

2 Parte das aulas ministradas por R. M. Schafer que assisti, tinham como base a obra: The Tuning of the World. 1st edition. New York: Random House Inc, 1977, na qual há uma tradução brasileira intitulada “A Afinação do Mundo”.

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IMAGEM DE CAPA E ABERTURA DE SEÇÕES
 
A imagem da capa e a abertura das seções é um quadro de 2016, intitulado “Todo mundo nas Nuvens”, pintado por J. Genésio Fernandes. O autor explica a origem deste na obra de NOGUEIRA, Eliane G. D; LACERDA, Léia T. Das Novelas de Formação à Autonomia Docente: entre diversidades, pesquisa e descobertas. São Carlos (SP): Pedro & João Editores, 2016, na qual transcrevemos aqui:

“Morando no mato, não pude deixar de pintar o que tenho visto nesse nosso tempo. Aqui, de uns tempos para cá, os bichos só vivem na Internet. Chegada à noite, os tatus não cavam mais, os lobos não uivam para a lua cheia, as goiquicas não vistam galinheiros — apenas clicam. Os gambás não saem mais à cata de ovos, apenas admiram fartas ninhadas no facebook. Os gambazinhos reclamam, mas não só eles. A mãe, linda como veio ao mundo, tenta atrair o gambazão, que só tem olhos para a tela do computador. Pela janela vejo todo mundo nas nuvens — ou naquelas sombras lá da Grécia”.
 
José Genésio Fernandes
Artista Plástico
Doutor em Linguística e Semiótica pela USP
Professor Aposentado da UFMS

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