PIBID UFSCar: uma parceria colaborativa entre universidade e escola.

ISBN 978‐85‐7993-552-7

Autor/Organizadores: Isabela Custódio Talora Bozzini; Márcia Regina Onofre; Izabella Mendes Sant’Ana Santos; Renata Sebastiani

Prefácio

 

 

É com prazer acadêmico e de luta que prefaciamos esse livro. O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – PIBID transformou a vida daqueles que fazem licenciaturas em suas diferentes dimensões. As mudanças proporcionadas pelo PIBID deram esperança à profissão docente, desde sempre desvalorizada em nosso país, em especial, nos dias de hoje.

 

A desvalorização da profissão docente resulta do fato da educação não ser prioridade no Brasil. Desde a colonização, sempre esteve a margem do desenvolvimento econômico do país, pautado no modelo agroexportador e na super exploração do trabalho. Do escravo ao trabalhador atual, constata-se o quanto a educação não fez e não faz parte de suas vidas, distante de suas necessidades e muito mais das possibilidades de uma formação qualificada, decisiva para seu desenvolvimento humano. Também como elemento desse modelo, a subalternidade à ciência de fora, feito por outros e não por brasileiros, vem impedindo a autonomia científica e tecnológica do país.

 

Para garantir tal modelo, é necessário a desvalorização do professor, o sucateamento da escola pública da educação básica, corte de financiamento público de todos os níveis da educação. É necessário também inculcar a ideologia da incompetência e ignorância nos sujeitos diretamente ligados à educação. Se sentir e se fazer menor frente à realidade se torna estratégico à dominação do povo, gerando a impotência e o descrédito no mundo melhor.

 

O que fez o PIBID? Ele tornou possível quebrar esse ciclo nefasto da educação brasileira. Com modelo inovador de formação de professores, que necessariamente envolve a tríade professor da instituição formadora, professor da rede pública e futuro professor, tendo como lócus central o espaço de exercício profissional da docência, ou seja, a escola, esse programa revoluciona ao juntar no mesmo espaço e lugar os sujeitos que devem estar juntos. Ao acertar o modelo, consegue alterar problemas cristalizados como a pareceria escola pública e universidade, relação teoria e prática, planejamento escolar e da licenciatura, enfim, enfrenta desafios há muito tempo postos e avança efetivamente.

 

E qual a chave do enigma? A valorização da profissão docente, considerando-a primordial para o desenvolvimento de todos. Como conseguiu? Com investimentos significativos expressos em bolsas para professores e futuros professores e custeio para atividades na escola, permitindo ousadia e qualidade como visita a museus, idas ao cinema e teatro, revitalização de laboratórios, bibliotecas e salas de leitura, oficinas com diversos profissionais na escola, entre tantas outras. E com momentos decisivos: a socialização e avaliação, tanto interna à instituição e projeto, como externa em diferentes eventos.

 

 Esse foi o PIBID que ousou, inovou e conquistou os educadores e educandos nacionalmente. Frente às diversas tentativas de extinção do programa, foi essa base social que se levantou a defendê-lo. Mesmo após a tantas mudanças negativas que o Brasil passou nos últimos anos, como o impeachment da Presidenta Dilma, troca de ministros da educação e presidente da Capes, o programa resistiu e continua referência à formação de professores. Os adversários do PIBID não galgaram vitória, apesar das tentativas de esvaziamento com a criação do novo programa Residência Pedagógica (RP), limitando o PIBID aos 1º e 2º anos das licenciaturas e o RP aos 3º e 4º. Também foi alterado o quantitativo de licenciandos por docente da instituição formadora para vinte e quatro, número “mágico”. Essas mudanças trouxeram impacto negativo ao PIBID e também ao novo RP, pois se tornou uma camisa de força, inviabilizando a participação de um número maior de licenciaturas.

 

O que acontecerá? Em breve teremos um quadro mais definido e certamente não faltarão pesquisas, eventos e discussões que avaliem o impacto dessas mudanças.

 

Mas o que fica? Fica, no mínimo, um legado de avanços em: pesquisas em formação de professores e metodologias de ensino; parceria universidade e escola pública; envolvimento com a comunidade escolar; articulação com diferentes frentes de lutas como movimentos sociais, câmaras municipais, assembleias legislativas e congresso nacional. Vale ressaltar a criação, no Congresso Nacional, da Frente Parlamentar em Defesa do PIBID e do PBIDID DIVERSIDADE, que certamente será mais um importante instrumento de luta para todos nós.

 

É nesse contexto que esse livro se insere, num momento de transição, onde o fortalecimento da nossa organização, Fórum Nacional dos Coordenadores Institucionais do PIBID – FORPIBID, mais do que nunca se faz necessária. Socializar com os novos colegas essa trajetória é essencial para a formação de todos e decisivo para elevação da consciência coletiva do trabalhador da educação chamado professor. Os desafios são muitos e são enfrentados com trabalho na base da escola, no dia a dia da licenciatura, e depois sistematizados, refletidos e socializados em livros como esse do PIBID/UFSCar, que nos brinda com um conjunto de textos expressivos de toda a trajetória do PIBID.

 

Continuemos na luta e formando professores para mudar o Brasil!

 

Marília, julho de 2018.

Sueli Guadelupe de Lima Mendonça

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