Filosofia, Linguagens e cognição.

ISBN eBook: 978-85-7993-610-4

Autor/Organizadores: Ana Carolina Rigoni Carmo; Carlos Bezerra Cavalcante Neto


APRESENTAÇÃO
 
 
Não são apenas a abrangência teórica e a extensão histórica da relação entre filosofia e linguagens que inviabilizam a tentativa de dela nos servirmos para introduzir o presente livro. São também os modos como os termos da relação se imbricaram e reagiram mutuamente nos estratos de um terreno que, sempre fértil ao longo de eras, passou, em dado momento, a brotar ciências, métodos e linhagens desde a invenção do método comparativo das línguas no século XIX até a culminância do linguistic turn no século XX e seus ecos nos dias atuais. É digno de nota não apenas o modo como a filosofia foi radicalmente influenciada pelas ciências da linguagem, mas também como esta influência, em alguns casos, retorna às ciências na prestação de ou no diálogo sobre seus fundamentos teóricos e metodológicos e na aplicação dos mesmos em pesquisas de viés mais empírico. Se não quisermos nos limitar ao que, de um ponto de vista filosófico, é ainda recente (coisa de poucos séculos), podemos remontar às próprias origens da filosofia ocidental e à polissemia do lógos grego para rastrear aquela mútua implicação nas ressonâncias de uma única palavra, que significa tanto “linguagem”, quanto “razão”; que significa “ordenação”, mas, também, “discurso”. “O que é filosofia?”, “o que são linguagens?”, “como se relacionam?” são, portanto, perguntas que, embora não devam ser ignoradas pelo seu papel orientador, apontam para um caminho demasiado longo e incerto para uma apresentação.
 
Acreditamos, contudo, que professores do Ensino Básico como nós, frequentemente confrontados com a situação inaugural de dar a conhecer um conteúdo, um saber ou mesmo uma ciência, estão mais acostumados a enfrentar perguntas como essas, sem muitas – ou poucas – mediações conceituais. Em boa medida, isso ocorre pela tarefa comumente projetada sobre um professor de uma disciplina determinada: a “missão impossível” de dar conta, em potência, do conjunto de conhecimentos que ela representa e que nos são corriqueiramente atribuídos em virtude de uma vulgarização compreensível dos processos de especialização em nossa sociedade. Trata-se de um fenômeno que decorre, em boa medida, de uma subestimação da especialidade mesma que é ser professor, sobretudo professor da Educação Básica, nível a que ainda pouco se condecora o aval da pesquisa. É assim que, dentro da expressão “professor de filosofia”, a expectativa da especialidade incide sobre a disciplina a ser ensinada, ignorando-se o fato de que um professor de filosofia não precisa ser uma história da filosofia ambulante, mas, dentre várias outras peculiaridades, também tem o papel de dominar um conjunto mínimo de conhecimentos que permita aos seus alunos aprender filosofia ou, como se prefere, aprender a filosofar. O mesmo se passa com os professores de línguas.
 
Nesse sentido, propor um grupo de pesquisa em Filosofia e Linguagens no Colégio Pedro II não significa uma mera forma de integração das atividades de pesquisa dessas áreas no Ensino Fundamental e Médio e de seus respectivos pesquisadores ao que já vem sendo feito em outras instâncias da produção acadêmica. Mais que isso, significa perguntar-se de que maneira dinâmicas e modulações que tais saberes adquirem no universo da Educação Básica podem contribuir, ao seu modo, para o enriquecimento dessa produção. Seria pouco relevante, portanto, o propósito de incorporação de nossas pesquisas àquela já consolidada nas universidades. Além disso, seria demasiado restritivo apenas repetir a associação típica da pesquisa no nível do Ensino Fundamental à pesquisa do ensino, como se todo professor universitário de cálculo também tivesse que restringir sua pesquisa à especialidade do ensino de cálculo para adultos. Não nos impedimos de pesquisar o ensino de filosofia e das linguagens ensinadas pelos professores do grupo, mas nos interessa igualmente saber o que mais e de que outras maneiras é possível pesquisá-las na Educação Básica. Trata-se, portanto, de permitir que, nos limites da linguagem da pesquisa em filosofia e em linguagens, inclua-se o mundo escolar, povoado por pergunta indomesticadas ou indomesticáveis, arriscadas, contagiadas pelo olhar espantado e problematizador de crianças e adolescentes, pelo contato contínuo com os “recém-chegados”, como diria Hannah Arendt.
 
Esse distanciamento gradual do que Jacques Rancière chama de uma “ordem explicadora”, que brutalizaria o indivíduo ao pretender emancipá-lo pelo caminho da explicação, não pode deixar ilesa a própria atividade de pesquisa no nível da Educação Básica, que, também gradativamente, se permite tatear objetos de pesquisa simbolicamente interditados – e muitas vezes interditados não apenas aos professores dessa etapa do ensino. De igual forma, lidamos, na nossa rotina de trabalho, com um momento muito plástico e criativo da formação do sentido das palavras, momento que insiste em ser novo, por exemplo, a cada início de ano letivo, quando um aluno pergunta, sem o menor pudor, pura e simplesmente “o que é filosofia?”, pergunta esta que a maioria dos filósofos admitiria ser uma das mais difíceis que se possa fazer nessa área. O modo como os saberes dialogam através de propostas inter e transdisciplinares tampouco emulam necessariamente o que ocorre no Ensino Superior. As condições de pesquisa em uma escola não são diferentes, portanto, apenas pelas razões socialmente difundidas e indesejadas que ora precarizam os saberes ali produzidos, ora os depreciam, mas também pela sua própria natureza “propedêutica”, extremamente responsiva às variações da dinâmica social e, principalmente, atravessada pelo bemvindo e já mencionado frescor das perguntas em seu estado primordial, expressão verbalizada de espantos, dúvidas e insatisfações que alvorecem no processo escolar de socialização.
 
São estas as condições a partir das quais o Grupo de Pesquisa em Filosofia e Linguagens toma a sua forma. O presente livro, muito mais que apresentar isso, consiste, na verdade, em uma etapa da sua formação. Nesse sentido, há menos um compromisso de unidade teórica entre as abordagens; há mais uma comunidade de interesses de pesquisa em torno de problemas que, aos seus integrantes, são afins, ainda que não necessariamente afinados. Os artigos aqui publicados fazem parte desse processo de aproximação entre integrantes de diferentes departamentos pedagógicos e que trazem em sua bagagem esquisas de natureza “impura”, que propõem o diálogo entre as disciplinas e sua reflexão na prática docente. É esse o fio de Ariadne que liga uma pesquisa a outra: professores-pesquisadores de Filosofia que incorporam à sua pesquisa questões oriundas dos estudos literários, linguísticos e de tradução; professorespesquisadores de línguas que, em suas pesquisas, abrem espaço para reflexões, temas e recursos teóricos de relevância filosófica e pedagógica. Talvez não se trate, em alguns dos casos, de aproximações, incorporações ou autorizações típicas, mas é justamente a problematização dessa tipicidade que, pelos motivos já expostos, nos é conveniente – pelo menos neste momento.
 
O Grupo de Pesquisa em Filosofia e Linguagens foi formado em 2015, a partir das discussões de um grupo de docentes do Campus Centro do Colégio Pedro II, que desejava iniciar pesquisas em conjunto com colegas de disciplinas afins, ou que já o fazia solitariamente e desejava articular seus projetos com os demais professores.
 
A composição inicial contava com os docentes Ana Carolina Rigoni Carmo e Carlos Bezerra Cavalcante Neto (Filosofia), Marissol Rodrigues Mendonça da Fonseca e Carolina de Pinho Santoro Lopes (Língua Inglesa) e Anderson Ulisses dos Santos Nascimento (Língua Portuguesa). Naquele momento estavam sendo implantados projetos de Iniciação Científica Jr. Na instituição e precisávamos pensar coletivamente as propostas e atividades a serem desenvolvidas.
 
Em 2017, tomaram parte do grupo os professores Luciana Dias Ribeiro (Língua Inglesa) e Frederico Chevrand Pagnuzzi dos Santos (Língua Portuguesa). No mês de novembro, o grupo realizou sua Primeira Jornada de Filosofia, Linguagens e Cognição, no Campus Centro do Colégio Pedro II. Foi um evento de grande importância, pois pudemos apresentar os resultados de nossas pesquisas e atividades desenvolvidas na instituição, para além do espaço restrito da sala de aula. Compartilhar e publicizar nossas experiências docentes é de grande relevância por dois motivos: possibilitamos a avaliação do nosso trabalho por alunos e profissionais da educação, a fim de aperfeiçoálo; divulgamos nossas ideias e práticas, para que pudessem repercutir em outros espaços, amplificando saberes e estratégias de ensino.
 
Em 2018 o grupo cresceu, em tamanho e em profundidade. Passaram a integrar o time os docentes de língua francesa Luciano Passos Moraes e de língua inglesa Marina Meira de Oliveira, trazendo novas discussões interdisciplinares. Com o crescimento surgiu a ideia deste livro, que contou com o apoio financeiro do Colégio Pedro II, através da PROPGPEC (Pró-reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Cultura). Agradecemos imensamente pelo auxílio e entendemos que ele é a forma, não apenas de manter os coletivos de pesquisa funcionando, mas também de possibilitar a divulgação do trabalho de qualidade realizado no Colégio, para além dos muros da instituição.
 
O grupo conta hoje com três linhas de pesquisa, que organizam o trabalho, mas não representam caminhos únicos para a pesquisa docente, tampouco cada percurso apresenta-se como isolado dos demais. A primeira linha intitula-se “Correspondências e escritas autobiográficas” e visa estudar diferentes registros escritos – cartas, biografias escritas de si – e seus conteúdos, a partir de uma perspectiva filosófica e literária. “Didática e Poética da Tradução” estuda os diversos processos de tradução possíveis, não apenas entre idiomas, mas entre linguagens distintas. A terceira linha é a mais recente, “Cognição e produção de subjetividade” e surgiu com o objetivo de abarcar pesquisas mais amplas nos campos do aprendizado e da cognição, buscando entender como esses processos são responsáveis pela constituição de sujeitos.
 
A obra “Filosofia, linguagens e cognição” foi organizada a partir das linhas de pesquisas desenvolvidas pelo grupo. Entretanto, por ser uma coletânea de artigos com temáticas diversificadas, esta obra pode ser lida de maneira não-linear, de acordo com os interesses e percursos que o leitor deseja traçar. É um convite à reflexão filosófica de temas educacionais, mas também sobre como nos comunicamos e aprendemos, como escrevemos e registramos a história, como processamos informações e as utilizamos na vida cotidiana. Visa divulgar atividades e estudos realizados no âmbito do Colégio Pedro II, nas aulas regulares e nos projetos de Iniciação Científica, mas também apresenta pesquisas que seus docentes realizaram em programas de pós-graduação.
 
Deste modo, as reflexões desenvolvidas nos capítulos acabam por realizar, na prática, um diálogo e uma integração entre o trabalho de pesquisa desenvolvido no colégio junto aos estudantes e os próprios percursos individuais dos professores enquanto pesquisadores, na medida em que cada projeto de Iniciação Científica Jr. Não pode ser dissociado da produção acadêmica de seus orientadores por terem como origem seus interesses particulares e os arcabouços temático, teórico e crítico por eles explorados.
 
O primeiro capítulo é uma homenagem póstuma ao professor Anderson Ulisses dos Santos Nascimento, um dos fundadores do Grupo de Pesquisa em Filosofia e Linguagens. O texto “O X da questão”, publicado originalmente no blog Transversos, discute o recurso comumente utilizado para o tratamento não binário, para lidar com masculino e feminino na língua portuguesa. O autor define e distingue a questão do gênero sob as perspectivas biológica, sociológica e linguística, questionando o papel do gênero na língua portuguesa e em outras línguas, afirmando que estas são sistemas simbólicos que constroem representações para o mundo dado, mas não designam a realidade. O autor reflete, igualmente, sobre a relação da língua com seu contexto social, polemizando sem prescrever, sem estabelecer padrões a serem seguidos.
 
Os capítulos seguintes participam das discussões da linha de pesquisa “Correspondências e escritas autobiográficas”, que busca analisar esses registros como fonte primordial de pesquisa. O segundo capítulo, “Mulheres invisibilizadas pela História: um resgate a partir do estudo de correspondências”, de Ana Carolina Rigoni Carmo, tem como ponto de partida o projeto de Iniciação Científica Jr. realizado no Colégio Pedro II, “O que dizem as cartas dos filósofos”. O projeto gerou reflexões na professora, que aprofundou seus desdobramentos nesse texto, que utiliza a metodologia do estudo de cartas.
 
Embora a participação feminina tenha sido desde sempre efetiva e relevante na produção científica e filosófica, essa não costuma ser a versão mais conhecida da história. O capítulo tem como objetivo identificar a autoria de teorias construídas por mulheres, mas que foram assinadas exclusivamente por seus amigos ou companheiros. Trata-se de um resgate que ainda hoje torna-se necessário, dada a grande desigualdade de oportunidades e visibilidade entre homens e mulheres no espaço acadêmico.
 
O terceiro capítulo “Autofabulação e memória cultural: quando literatura e imagem reescrevem a história”, de autoria de Luciano Passos Moraes, é resultado de reflexões desenvolvidas pelo autor ao coordenar o projeto de pesquisa “Leituras da francofonia: identidade e trânsito intercultural”, desenvolvido junto a estudantes bolsistas de Iniciação Científica Jr. (2017-2018). O trabalho versa sobre a exploração do espaço autobiográfico em narrativas contemporâneas no Canadá francófono, levando em consideração o trânsito de escritoras e escritores que ficcionalizam suas experiências de exílio e migrância para ressignificar situações de (não-)pertencimento tão frequentemente vividas pelo sujeito contemporâneo. O capítulo focaliza, ainda, estratégias de escrita literária que rompem com os paradigmas tradicionais de gênero literário, uma vez que as obras em questão trazem novos componentes à escrita, a exemplo do recurso à utilização de imagens pictóricas junto aos relatos e da hibridação de subgêneros da escrita autobiográfica (como a autobiografia, o autorretrato, o diário e o ensaio). Tal empreitada revela que a historiografia tradicional é frequentemente questionada por estes escritores da migrância, quando buscam dar vozes a personagens e histórias de vida geralmente ignoradas ou relegadas a segundo plano pelo discurso oficial. A fragilização das fronteiras nas literaturas em francês é um dos fios condutores no conjunto de textos analisados no âmbito do projeto de ICJr, visando à ruptura com paradigmas tradicionais no que concerne ao cânone. A leitura de textos como o que é estudado neste capítulo é um dos focos do projeto, a fim de proporcionar a  abertura dos horizontes de leitura dos estudantes rumo ao desenvolvimento de valores que os tornem multiplicadores da valorização das literaturas francófonas consideradas  inoritárias.
 
No quarto capítulo, “Tradução e ética a partir de O Tradutor Cleptomaníaco, de Dezsö Kosztolányi”, Carlos Bezerra Cavalcante Neto investiga como uma discussão sobre as tensões éticas inerentes à atividade de tradução emana das ideias inusitadas de um conto do escritor húngaro Dezsö Kosztolányi. Para isso, recorre a textos teóricos sobre tradução, mas, em especial, ao trabalho do filósofo e tradutor Antoine Berman, para quem a tradição da tradução ocidental reflete majoritariamente um sistema deformador que produziria versões “etnocêntricas”, que não preservariam a alteridade do original. O texto faz parte da pesquisa “Ética e tradução: formas de (des)entendimento”, que procura avaliar a  possibilidade da tradução como modelo ético para as relações interculturais. O projeto também envolve a orientação de alunos do Programa de Iniciação Científica Jr., para os quais a leitura do conto de Kosztolányi é obrigatória. Esta pesquisa, assim como aquela apresentada a seguir, está incluída na linha de pesquisa “Didática e Poética da Tradução”.
 
No quinto capítulo, as autoras Marissol Rodrigues Mendonça da Fonseca e Carolina de Pinho Santoro Lopes pensam a questão da tradução aplicada às aulas de Inglês. O uso de textos literários na aula de língua estrangeira pode contribuir para aumentar a motivação dos estudantes, especialmente quando eles têm a oportunidade de realizar atividades que envolvem a criatividade e a aproximação da obra com a realidade vivenciada por eles. O texto aborda experiências de realização de atividades com textos literários adaptados em língua inglesa nas aulas de ensino fundamental do Colégio Pedro II. A partir da leitura de King Arthur (adaptado por J. Hardy-Gould) e Much Ado about Nothing (William Shakespeare, adaptado por A. McCallum), alunos de 7o e 8o anos criaram suas próprias versões das histórias lidas, a maioria delas no suporte de vídeo. É possível perceber que grande parte dos estudantes foi além da transposição do meio escrito para o audiovisual, apropriando-se das obras lidas. Algumas das estratégias utilizadas foram a adaptação do enredo para o Rio de Janeiro na atualidade e referências a elementos da cultura pop.
 
A terceira linha de pesquisa, “Cognição e produção de subjetividade” é desenvolvida nos últimos capítulos desta obra. “A Escrita e a Produção de Textos a partir da Perspectiva Multidisciplinar de Van Dijk e Kintsch”, de Luciana Dias Ribeiro, faz uma revisão teórica do Modelo de Processamento Textual, proposto por esses dois autores, o qual propõe a existência, ao longo do processamento de textos, não somente de componentes linguísticos, mas também cognitivos e contextuais, o que acaba por conferirlhe um caráter multidisciplinar. Tal abordagem foi utilizada na pesquisa de Mestrado da autora, na área da Psicologia Cognitiva, como referencial teórico para a análise de textos em português e inglês, produzidos por alunos brasileiros, com vistas à investigação da relação entre a escrita em português como língua materna e inglês como língua estrangeira.
 
O último capítulo foi escrito por Marina Meira de Oliveira. “A construção da racionalidade moral-pragmática no ‘chão da escola’: o caso da implementação de um projeto de correção de fluxo em uma escola municipal do Rio de Janeiro” é fruto de uma pesquisa de Mestrado realizada dentro do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUC-Rio a respeito de uma política educacional desenvolvida na rede pública municipal do Rio de Janeiro. A pesquisa teve como objetivo compreender o processo de implementação dessa política, destinada à correção da distorção idade-série de alunos que vivenciaram múltiplas repetências, a partir das percepções dos agentes implementadores diretos (professores e diretores). O texto enfoca a construção e legitimação de uma lógica baseada em um pragmatismo acompanhado de julgamentos morais que se apresentam nos relatos dos agentes sobre a política e seu público-alvo, muitas vezes orientando suas ações durante o processo de implementação. Ao discutir os limites e possibilidades desse senso prático-moral, percebe-se que ele pode tanto gerar um aperfeiçoamento de diretrizes formais irrealistas e consideradas até mesmo prejudiciais aos alunos, quanto aprofundar desigualdades anteriores à sua entrada na escola.
 
A obra que ora se apresenta constitui, portanto, um conjunto de intersecções e diálogos baseados não somente na trajetória de pesquisa de cada uma das autoras e autores, mas em sua própria experiência docente, que não pode ser desvinculada do trabalho desenvolvido em suas respectivas áreas de estudos e de atuação. Um dos propósitos de um grupo de pesquisa inter/transdisciplinar é o de explorar o terreno fértil do diálogo, buscando transgredir os limites próprios de cada disciplina a fim de dar um passo além, demonstrando possibilidades de reflexão que ultrapassam as barreiras tradicionalmente construídas nas salas de aula e nos programas de pósgraduação.
 
Na expectativa de que esse seja o primeiro de muitos outros trabalhos do Grupo de Pesquisa em Filosofia e Linguagens, desejamos a todas e a todos uma excelente leitura!
 
 
Grupo de Pesquisa em Filosofia e Linguagens

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