Fake News e campanhas de vacinação: a experiência com projetos de intervenção pedagógica na educação básica.

ISBN eBook: 978-85-7993-716-3 impresso: 978-85-7993-715-6

Autor/Organizadores: Francisco Renato Lima


[…] estamos vivendo o advento da terceira grande catástrofe, ainda sem nome, na qual a proteção e o aconchego das habitações deixaram de existir, pois nossas casas estão perfuradas por todos os lados, tornaram-se permeáveis ao ‘furacões da mídia’. Assim, nossas moradias se tornaram inabituais […] e por isso inabitáveis […]. Convidam-nos a estar lá onde não estamos, em cenários, paisagens e ambientes distantes e virtuais. O lugar onde estamos de fato – sempre sentados – é o lugar inóspito, que não se deixa habitar porque está invadido pela ventania das imagens visuais e sonoras da mídia. […] a nova ‘mobilidade’ ou o novo ‘nomadismo’ são uma reunião paradoxal de imobilidade com fluidez. As imagens fluem celeremente e nós surfamos virtualmente nelas enquanto o corpo, em torpor, está sentado em alguma cadeira, sem alma ambos, corpo e cadeira.
 
(BAITELLO, 2012, p. 27-28) BAITELLO, Norval. O pensamento sentado: sobre glúteos, cadeiras e imagens. São Leopoldo: UNISINOS, 2012.
 
 
 
PREFÁCIO
 
As fake news são uma espécie de fenômeno negativo que está se difundindo com enorme velocidade nos dias atuais. Essas falsas notícias têm sido publicadas por pessoas e, muitas vezes, veículos de comunicação que “vendem” ao público em geral, informações equivocadas, como se fossem reais. A intencionalidade geralmente está vinculada a uma linha de pensamento isolado ou ao prejuízo de uma pessoa ou grupo social. Atualmente, essa prática tornou-se um vírus em nossa sociedade, invadindo espaços antes mais reservados – como a escola – e tomando proporções irreparáveis.
 
Nesse cenário, a saúde pública brasileira também tem sido atingida pela onda das falsas notícias que se espalham na Internet, especialmente, nas redes sociais. Temos como exemplo, os movimentos contra a vacinação que voltaram a crescer nos últimos anos, devido a disseminação de notícias falsas por pessoas que são contrárias às vacinas, causando um grave problema de saúde pública em termos de prevenção de doenças e promoção da saúde. Algumas doenças infectocontagiosas, como o sarampo, que antes foi erradicado no Brasil, apresentou crescimento de casos em 2018, segundo dados do Ministério da Saúde. Visando a maior participação da população nas campanhas e na tentativa de combater as fake news, o governo mobilizou-se para lançar informativos de combate às falsas notícias sobre vacinas em diferentes veículos de comunicação, incluindo as redes sociais.
 
Por outro lado, é inegável a contribuição que as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) têm trazido para as escolas e para o mundo de uma maneira geral. No ambiente escolar, a necessidade de avanço para a inclusão de novas tecnologias educacionais é uma necessidade atual e urgente, que pode contribuir em larga escala para o aprendizado dos educandos, sobretudo, no ensino básico. Muitos são os desafios relatados, que vão desde a falta de infraestrutura das escolas até a falta de estrutura familiar e a capacitação dos professores.
 
Neste contexto, a iniciativa da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), mais especificamente, por meio do curso de Especialização em Tecnologias Educacionais para a Prática Docente no Ensino da Saúde na Escola em sua primeira edição, teve como um dos objetivos principais, contribuir para o desenvolvimento de práticas educativas críticas, mediadas pelas TDIC, figurando a saúde como tema integrador. Este curso trouxe como proposta a construção de um Projeto de Intervenção Pedagógica (PIPed), visando contribuir para novas reflexões sobre o assunto e facilitar a implantação de mudanças em ambientes escolares.
 
Como resultado da experiência vivenciada ao longo do curso de especialização e como consequência do desenvolvimento de um PIPed voltado para o aprendizado a respeito do impacto das fake news em campanhas de vacinação, surgiu a ideia deste livro. O autor, na certeza de contribuir com outros cenários e imprimir novos aprendizados para as escolas e seus educadores, torna pública a ideia de um projeto de intervenção possível de ser aplicado em diferentes ambientes escolares, regiões e com outras temáticas pertinentes a cada realidade escolar.
 
Dessa maneira, a troca de experiências poderá proporcionar a cada escola, a ampliação do olhar a respeito do uso das TIDIC como ferramenta pedagógica.
 
O livro percorre caminhos que revelam as etapas para a concepção de um PIPed, a partir de um resgate histórico sobre as resistências às vacinas no Brasil até o presente momento, destacando o impacto das fake news em campanhas de vacinação; e finaliza com reflexões sobre os benefícios a partir desse tipo de intervenção pedagógica.
 
Àqueles que se permitirem degustar a obra, terão a grata surpresa de uma reflexão sobre o seu fazer docente, incluindo a identificação de fatores facilitadores e problemas inerentes aos seus cenários de prática.
 
Parabenizo o autor pelo processo criativo e pela coragem de desbravar novos caminhos nesse imenso mar que é a educação!
 
A todos e todas, desejo uma ótima leitura!!!
 
 
Karla Kristine Dames da Silva
 
Fisioterapeuta, professora adjunta do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Mestre e Doutora em Ciências (UERJ), Especialista em Ativação de Processos de Mudança no Ensino Superior em Saúde (ENSP/FIOCRUZ), Tutora do curso de Especialização em Tecnologias Educacionais para Prática Docente no Ensino da Saúde na Escola (ENSP/FIOCRUZ).
 
Rio de Janeiro (RJ), 16 de julho de 2019.

Deixe uma resposta