Diálogos sobre identidade étnico-racial, gênero e sexualidade: caminhos para a transformação.

ISBN: 978-85-7993-730-9

eISBN: 978-85-7993-731-6

Autor/Organizadores: Léia Teixeira Lacerda; Bartolina Ramalho Catanante; Cristiane Pereira Lima

Apresentação

Esta obra, escrita a muitas mãos, traz a público os resultados das pesquisas desenvolvidas pelos discentes e docentes do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu Mestrado Profissional em Educação, por meio do Registro de Memórias de Professores sobre a Construção da Identidade Étnico-racial e de Gênero, vinculado aos Projetos 1: Plano de articulação para o desenvolvimento das atividades de pesquisa e formação do Programa de Pós-Graduação, Mestrado Profissional em Educação, bem como A Trajetória de Formação no Curso de Pedagogia da Unidade Universitária de Campo Grande, realizado nas disciplinas: Educação, Cultura e Sexualidade e Educação para as Relações Étnico-raciais no Brasil, Gênero e Educação, do referido Programa e Curso da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, em 2017.

Também apresenta um inventário de Projetos de Atuação elaborados pelos participantes do Curso “Democracia, Gênero, Sexualidade e Diferenças”[1], ofertado como projeto de extensão pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. O perfil das/os autoras/es desses projetos é diversificado, há cursistas com formação no Ensino Médio completo e graduandos de diferentes cursos de instituições de ensino superior de Campo Grande. Há também profissionais de diferentes áreas e, em sua grande maioria, sem vínculo com a UFMS. Esse aspecto extrapola a abrangência social da oferta de um curso de extensão como esse, pois essa instituição de ensino amplia a sua função social, atende a sua comunidade acadêmica, bem como envolve a comunidade externa.

A primeira parte da obra se intitula Diálogo com Professores(as) sobre Identidade Étnico-Racial e apresenta 07 (sete) capítulos sobre essa temática vivida por esses professores nas relações sociais, na família, na escola, no trabalho e em diferentes espaços sociais que frequentam e/ou frequentaram. As memórias desses profissionais que atuam no Estado de Mato Grosso do Sul descortinam a diversidade cultural presente e o processo identitário desses sujeitos, que segundo José da Silva (2008, p. 169-170).

[…] um novo quadro configura-se na produção teórica que discute os desafios das políticas sociais e, particularmente, o desafio da educação no Brasil. Este quadro surgiu a partir da ação e do interesse de pesquisadores, profissionais da educação e integrantes de movimentos sociais, os quais vêm refletindo sobre as várias dimensões do fenômeno educativo e suas relações com a sociedade brasileira. Enfatizando a diversidade étnico-racial e cultural, além das relações de gênero e sexualidade, a inclusão de novas temáticas possibilita o enriquecimento da produção teórica educacional.

Alguns desses professores quando indagados sobre as questões raciais em sala de aula, destacam que essa temática não deveria ser debatida. Em uma perspectiva foucaultiana esse silenciamento nega o percurso histórico e identitário que constitui esses sujeitos, impossibilitando a compreensão da dinâmica da discriminação e do preconceito, que contribui com o fortalecimento dos discursos de poder e inviabiliza a discussão nos currículos escolares sobre a inclusão de gênero e de identidades sexuais.

Na segunda parte é debatido o Diálogo com Professores(as) sobre Gênero e Sexualidade. Em 05 (cinco) capítulos os professores relatam as suas vivências e a constituição da sua identidade sexual. Para compreendermos essas relações de gênero é preciso considerar os diferentes espaços em que se constituem as relações sociais com o seu Outro. Assim, as histórias de vida desses sujeitos vão evidenciar que  […] a identidade de gênero é construída e vivida. Uma observação fácil de fazer, mas muito difícil de desenvolver analiticamente; e sobre a qual é também muito difícil de saber como agir politicamente. A questão, é claro, se põe na relação entre estrutura e práxis, entre o indivíduo e o social. (MOORE, 2000, p.15).

Quando oportunizamos aos professores narrarem as suas memórias em uma proposta como essa, esse espaço de diálogo constitui-se em um momento de reflexão, inicialmente sobre a sua própria identidade e posteriormente a compreensão da identidade do Outro. Assim, Cada indivíduo tem uma história pessoal, e é na interseção essa história com situações, discursos e identidades coletivas que reside a relação problemática entre estrutura e práxis, e entre o social e o individual. Assim, resistência e obediência não são apenas tipos de agência, são também formas ou aspectos da subjetividade; e tanto como tipos de subjetividade quanto como formas da subjetividade são marcadas por estruturas de diferença fundadas no gênero, na raça, na etnicidade e assim por diante. (MOORE, 2000, p.16).

Na terceira e última parte da obra o leitor encontrará os Projetos de Atuação desenvolvidos pelos discentes/autores do Curso: Democracia, Gênero, Sexualidade e Diferenças, coordenado pelo Prof. Dr. Tiago Duque da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul que oportuniza desenvolver ações sobre essas temáticas em diferentes contextos sociais e públicos. Os temas debatidos nessa proposta foram: diferenças e relações de poder em Mato Grosso do Sul; gênero, sexualidade e a produção das diferenças; democracia: aspectos teóricos e políticos; gênero e sexualidade: entre a pesquisa e a ação política; pessoas com deficiência: conquistas e desafios; Estado laico; diversidade sexual, corpo, estado e participação democrática; pedagogias culturais, infâncias e o desafio democrático; saúde pública, participação popular e diferenças; democracia, raça e etnia; gênero, sexualidade e democracia; entre outros.

Essas narrativas sobre identidade étnico-racial e de gênero estão disponíveis para consulta e novas pesquisas no Centro de Documentação de Educação, Linguagens e Diversidade Cultural de Mato Grosso do Sul, vinculado ao Centro de Pesquisa, Ensino e Extensão em Educação, Linguagem, Memória e Identidade – (CELMI/UEMS) e possibilita implementar projetos dessa natureza, nos currículos escolares e em espaços não escolares. No entanto, ainda é necessária a oferta de formações continuadas sobre essas temáticas, com a finalidade de oportunizar aos/às professores/as e diferentes profissionais uma melhor compreensão, sobre a importância de debater a dinâmica das relações de gênero, bem como de identidade étnico-racial.

Esperamos que esta investigação possa suscitar novos debates e estudos com o desenvolvimento de novas pesquisas na área de educação étnico-racial e de gênero.

Profa. Dra. Léia Teixeira Lacerda

Profa. Dra. Maria Leda Pinto

Docentes da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul/UEMS, Centro de Pesquisa, Ensino e Extensão em Educação, Linguagem, Memória e Identidade – (CELMI/UEMS) Grupo de Pesquisa, Educação, Cultura e Diversidade/UEMS-CNPq

  1.  Esses projetos são coordenados pela Profa. Dra. Celi Corrêa Neres, do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu Mestrado Profissional em Educação da UEMS e pela Profa. Dra. Léia Teixeira Lacerda e conta com o apoio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul/Fundect, por meio dos recursos financeiros do Edital Chamada Fundect/UEMS n° 025/2015 – Apoio a Graduação e Pós-Graduação na UEMS.

Referências:

MOORE, Henriquetta. Fantasias de poder e fantasias de identidade: gênero, raça e violência. In: Cadernos Pagu (14) 2000: pp.13-44.Tradução: Plínio Dentzien e Revisão: Adriana Piscitelli. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8635341 Acesso: 20 dez 18.

SILVA, G.J.; SOUZA, J.L. Educar para a diversidade étnico-racial e cultural: desafios da educação inclusiva no Brasil. In: Inter-Ação: Rev. Fac. Educ. UFG, 33 (1): 169-192, jan./jun. 2008. Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/interacao/article/view/4256 Acesso em: 20 dez 18.

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