PIBID e iniciação à docência em língua portuguesa: do piso da academia ao chão da escola.

eISBN: 978-85-7993-756-9

Autor/Organizadores: Vicente de Paula da Silva Martins

APRESENTAÇÃO

Em tempos sombrios na Educação brasileira, a frase “ninguém larga a mão de ninguém” registra meu encontro com o professor Vicente de Paula da Silva Martins, que também idealiza a Educação com qualidade em escolas públicas, e somos defensores do PIBID (Programa Institucional de Bolsas de iniciação à docência), programa em que atuamos como coordenadores de área, no meu caso, na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Unidade Universitária de Cassilândia, MS, no subprojeto Letras- Multidisciplinar e o professor Vicente na Universidade Estadual Vale do Acaraú, na cidade de Sobral, Ceará, no subprojeto Letras-Português. Ambos acompanhamos a notória contribuição desse programa no ensino, pesquisa e extensão nas práticas pedagógicas dos alunos dos cursos de licenciatura inseridos nesta proposta de ensino e aprendizagem, além dos demais envolvidos, professores na atuação de supervisores e alunos da Educação Básica.

Atualmente a tecnologia nos facilita a busca por pensamentos afins, estudos, trabalho e emoções semelhantes, que com certeza nos motiva em nossas crenças, práticas pessoal e profissional. E salve a tecnologia, que permitiu o meu encontro com o professor Vicente, lembrando o conceito de amizade de Garth Henrichs e popularizado na crônica de Vinícius de Moraes Amigos: “A gente não faz amigos, reconhece-os” e assim nos reconhecemos pela semelhança com que idealizamos a Educação, ou seja, como possibilidade de autoconhecimento, conhecer, fazer e divulgar a ciênca. O facebook nos apresenta a tantas pessoas relevantes, que até comemora os aniversários de amizade, que merecem ser celebrados, mesmo que ainda a amizade não seja de corpo presente. Por meio desta ferramenta conhecemos os amigos, os amigos dos amigos, seus ídolos, seus familiares, suas crenças, sua atuação profissional e foi nesse item que nossa amizade se consolidou, na luta pela existência da universidade pública com qualidade.

Atuo como coordenadora de área do Pibid desde 2015, na UEMS Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, na unidade universitária de Cassilândia, inicialmente com o título “Pibid Letras Português/Inglês” com um intervalo de afastamento da oferta do programa em 2017, que resultou em uma resistência na Educação em prol do “Fica PIBID” e novamente voltei a atuar na coordenação no biênio 2018-2019, atualmente com o título “Pibid Letras Multidisciplinar”.

Na versão atual o coordenador de área é responsável pela atuação de vinte e dois pibidianos, enquanto nos anos anteriores coordenava 8 alunos distribuídos nas quatro séries dos Cursos de licenciatura. A nova versão do Pibid permite a atuação dos alunos nas primeiras séries do Curso de lienciatura e para a terceira e quarta séries o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), teve alteração em seu nome, passou a se chamar “Residência Pedagógica”. No entanto, a oferta desses programas somente foi realizada em cursos de licenciatura que tinham número suficiente para oferta de 22 bolsas, ou seja, fortalecer cursos que já estavam em andamento satisfatório e não àqueles que precisavam de incentivo para atrair alunos ao ensino superior.

É claro que nas entrelinhas ou de forma explícita para quem está no contexto político brasileiro, ficou nítido o panorama de contenção de gastos para a formação com mais oportunidade e qualidade nos cursos de licenciatura, princípio de tentativas de desqualificar o nosso trabalho docente e do aluno da graduação.

O curso de licenciatura que não teve alunos suficientes para contemplar as vinte e duas bolsas nos 1os e 2os anos e nos 3os e 4os anos, não puderam ser contemplados com os Programas Pibid e Residência Pedagógica, em 2018, independente das instituições públicas estarem ou não com o quadro de professores efetivos completos nos cursos. Esta análise de avaliação externa, ou seja, as salas de aula devem estar cheias para serem contempladas com bolsas de estudo, valorizam a permanência do que está indo bem, sem se preocupar com o que precisa ser melhorado. Em uma proposta de que “ninguém larga a mão de ninguém”, os Cursos contemplados com as bolsas de estudo em qualquer modalidade precisam registrar e divulgar suas atividades acadêmicas para ratificar que ciência e

conhecimentos teóricos não é prática exclusiva da universidade, mas tem seu início na Educação Básica.

Esse pequeno resgate da história do Pibid e apontamentos sobre sua relevância, reflete o valor dessa obra, referente à resistência para sua continuidade, em seu aspecto intelectual, proporcionado aos pibidianos aprendizado em como fazer pesquisa, atuar em sala de aula, resolver problemas cotidianos na área da Educação, refletir sobre teorias acadêmicas, resistir e enfrentar às políticas que desvalorizam a escola pública, assim como disseminar o conhecimento acadêmico, resultado de ensino e aprendizagem na Educação Brasileira, como ocorre neste livro intitulado: PIBID e iniciação à docência em língua portuguesa: do piso da academia ao chão da escola.

No primeiro capítulo, O potencial do Pibid para a superação da dicotomia teoria/prática, reflete a importância de quem está na sala de aula reportar-se as teorias que norteiam o trabalho pedagógico para conseguir explicar o porquê dos erros e dos acertos, assim como ter um olhar sobre teorias que apresentam reflexões sobre a prática pedagógica.

A nossa luta constante para que programas como o Pibid, Residência Pedagógica se tornem uma prática obrigatória nos cursos de licenciatura, por permitirem a prática docente ao aluno da graduação, além de contribuirem para que sua formação seja para além dos conteúdos acadêmicos, em contextos reais de ensino, em uma perspectiva de interação com professores mais experientes, realidades diferentes dos alunos, funcionamento da escola, além da bolsa de estudos que o pibidiano recebe da Capes, que por vezes é responsável por mantê-lo no ensino superior, são pontuados nos artigos subsequentes deste livro nos capítulos: 2. A importância do Pibid para a formação inicial de professores: uma proposta interdisciplinar na Educação Básica, 3. Pibid e o saber docente: considerações indispensáveis, 4. As contribuições do Pibid para a formação docente dos bolsistas.

O Pibid ao valorizar a formação do aluno da licenciatura com práticas reais de ensino nas escolas, permitindo o dialogar com as sequências didáticas, temas atuais, interdisciplinar, além de posicionamentos críticos sobre o que ensinar e o porquê ensinar, examinando o lugar do ensino da língua estrangeira e as literaturas em documentos oficiais posterior a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) e propostas atuais da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), além de indagar sobre a existência e resistência para o ensino dessas disciplinas, o programa apresenta possibilidades de compreender esses documentos que regem a Educação Brasileira em como eles entendem e permitem a prática da leitura literária, o ensino da literatura, conduzindo o ensino a reflexões que levam tanto os pibidianos como os alunos da Educação Básica a fazerem uso do conteúdo proposto uma extensão da sua construção pessoal,em aspectos da emoção, letramento, multiletramento e posicionamento crítico. Essas reflexões são possíveis serem identificadas nos capítulos: 5. Práticas docentes proporcionadas pelo subprojeto Letras Português: o ensino de literatura no Ensino Médio, no capítulo 6. Um convite à literatura: com vocês, vidas secas, de Graciliano Ramos, 7.O cinema como instrumento pedagógico no ensino-aprendizado de literatura: diálogos de uma formação docente, e no capítulo 8.Incentivando a produção textual numa turma de primeiro ano através da produção de poesias.

Os capítulos 9.O jogo como mecanismo de aprendizagem e 10.Trabalhando com o lúdico nas aulas de língua portuguesa, como forma de maior aprendizado, nos remetem a metodologia ativa de ensino, mostrando como o lúdico na sala de aula estimula o desenvolvimento das competências e habilidades, conforme sugere a BNCC no ensino e aprendizagem, levando o aluno a maior interesse no conteúdo a ser ensinado, facilitando na introdução de temas considerados complexos, assim como na fixação de conteúdo já estudado em sala de aula.

Norteados pelas teorias de BAGNO, Marcos (1999, 2007, 2002), Ricardo Bortoni (2004) e Tarallo (2007) entre outros autores relevantes os autores do capítulo 11, Preconceito linguístico: mitos e desafios na sala de aula, se propuseram a investigar como ocorre e como o professor pode lidar com esse estudo em sala de aula, na crença de que a língua é mutante, repleta de ramificações que absorve os mais diversos tipos de palavras, dicionarizadas, evoluídas o modificadas e que o falante cumpre seu papel quando consegue se comunicar, ainda que não fazendo uso da norma culta, sendo esse o principal objetivo dos falantes, o respeito às diferentes formas de se comunicar, deve se fazer presente nas escolas e nas salas de aula.

O capítulo 12, último capítulo, discorda e apresenta em seu título, um posicionamento crítico sobre a teoria da “Escola sem partido”: O Pibid e o estímulo às discussões sociais na escola Dom Walfrido Teixeira Vieira, o artigo aborda os temas: “Suicídio: um debate sobre suas causas e ocorrências”, “Homofobia e transfobia: o preconceito destrói vidas”, “obras literárias em prol da discussão: machismo e feminismo através das gerações”, esses apontamentos ressaltam a importância de se discutir em sala de aula, temas que perpassam no nosso cotidiano, buscando por parte de quem ensina a necessidade de buscar caminhos que resolvam situações de conflito em nosso meio, que o respeito aos menos favorecidos socialmente seja uma luta constante na Educação em nosso país.

Após concluir a leitura dos capítulos citados, sinto-me muito honrada em prefaciar este estudo que mostra possibilidades não somente na teoria, mas também na prática em como motivar alunos da licenciatura a valorizarem as práticas pedagógicas que estimulam o aprendizado de conteúdos propostos pela escola e temas associados à realidade do aprendiz. Nosso desejo é que políticas de apoio a Educação com qualidade seja constante nas escolas brasileiras e que os programas Pibid e a Residência Pedagógica, sejam permanentes e continuem inspirando a atuação dos alunos de licenciatura em nosso país, para que a divulgação de experiências bem-sucedidas inspire as pesquisas e escritas acadêmicas e os alunos de escolas públicas sejam beneficiados com essa interação universidade e comunidade escolar.

Profa. Dra Telma de Souza Garcia Grande (telmasouza@uems.br)

Coordenadora e professora do Curso de Letras de Cassilândia,

UEMS – Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul

Unidade Universitária de Cassilândia

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