Análise socioambiental da região metropolitana de Ribeirão Preto: bem estar e felicidade

eISBN: 978-85-7993-819-1

Autor/Organizadores: Claudio Noel de Toni Junior; Magda Adelaide Lombardo

Introdução

Neste trabalho busca-se, através dos índices sustentáveis do meio ambiente e da felicidade individual de territórios, aprimorar o que já existe e suprir as discussões de que o IDH não mensura com real grau de confiabilidade o desenvolvimento humano. A dificuldade para se encontrar medidas que poderiam ser incluídas neste item foram minimizadas ao se ampliar a gama de indicadores existentes para que a sociedade e governos pudessem compreender e colocar em prática novos índices que trouxessem maior clareza à questão do desenvolvimento sustentável.

A introdução de índices de natureza ambiental mostrou-se importante para a realização do objetivo proposto. Poluição atmosférica calculada em relação aos gases poluentes, efeitos nocivos da poluição urbana e suas consequências, dentre elas, o efeito estufa, para discutir-se a biodiversidade e a degradação ambiental, analisada através do nível de suprimento de energia primária, áreas protegidas, pegada ecológica do consumo, água potável, saneamento básico, proporção de energia renovável, e do Índice de Desempenho Ambiental (IDA) que fazem analogia na composição da criação dos índices propostos a serem criados, foram alguns dentre os fatores de sustentabilidade observados.

Se o IDH mensura o desenvolvimento humano de forma parcial, os índices propostos a serem criados realçam o desenvolvimento sustentável das nações como sendo um termo mais abrangente, pois agrega valores além do socioeconômico, tais como as questões ambientais e da felicidade. Neste trabalho, verifica-se a continuação das pesquisas realizadas através do IDH municipal das cidades sobre a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), ao conjugar neste Índice, variáveis que tratam da vulnerabilidade socioambiental por meio de dados da Secretaria do Meio Ambiente (SMA) do governo do estado de São Paulo que é o Índice do município VerdeAzul, realizado pelo Programa do Município VerdeAzul (PMVA).

Destacam-se os indicadores da RMRP, como também dados ofertados do Programa das Nações Unidas (PNUD), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), que mensura os aspectos socioeconômicos das cidades envolvidas, dentre eles o IDH-M.

A temática que se faz nesta pesquisa é de ir além do socioeconômico ao incluir o socioambiental, através do Índice de Avaliação Ambiental (IAA), sendo que a junção do IDH- M das 34 cidades da RMRP trará a criação do Índice de Felicidade da Região Metropolitana de Ribeirão Preto (IFRMRP). A padronização dar-se-á através da unidade, quanto mais próximo de 1, 000 maior será o nível de sustentabilidade das cidades. Para se alcançar o IAA, é utilizado o PMVA, programa voluntário que vise estimular os municípios ao desenvolvimento de estruturas no segmento ambiental por meio de dez diretivas: esgoto tratado, resíduos sólidos, biodiversidade, arborização urbana, educação ambiental, cidade sustentável, gestão das águas, qualidade do ar, estrutura ambiental e conselho ambiental.

A pesquisa inicial consiste em apresentar os conceitos em uma abordagem socioambiental das cidades da RMRP por meio dos atributos socioambientais como o Índice de felicidade (IF) dos municípios ao dinamizar o que já existe em termos de infraestrutura para melhorar e atingir patamares otimizados das atividades da região. Serão utilizadas geotecnologias para a criação e análise das variáveis envolvidas, bem como a dinâmica da variabilidade ambiental e da felicidade que faz parte de eventos como: desmoronamentos, mudanças climáticas, recursos naturais, áreas verdes degradadas, baixo nível de pegada ecológica com biomas em situação desfavorável em termos da qualidade de vida no aspecto de vida multidimensional em um diagnóstico socioambiental.

Ao se analisar a questão epistemológica do desenvolvimento, percebem-se duas vertentes: de um lado o crescimento econômico, calculado através das contas nacionais de um país, como por exemplo, o Produto Interno Bruto (PIB) e o Produto Nacional Bruto (PNB). E de outro, o desenvolvimento mensurado em relação à sustentabilidade.

Como percebido no trabalho, o conceito de desenvolvimento sustentável é maior, seus horizontes são amplos e sua mensuração não fica restrita apenas ao fator socioeconômico. Porém, traz medidas-chave para o bem-estar da sociedade, que juntamente com o produto agregado como o PIB e com as variáveis do IDH, apontam em que nível uma sociedade se encontra, no estágio atual, bem como sua evolução ou regressão, quando comparada a outras regiões.

O objetivo desse Índice não deve ser visto apenas como “um sobe e desce” dentro de uma tabela, em que os países são classificados, e sim entendido pelos órgãos governamentais como forma de verificar em quais setores há defasagens, e quais requerem maior atenção para proporcionar melhor qualidade de vida à população (TONI JUNIOR, 2013).

Mensurar a felicidade das nações é algo considerado para analisar até que ponto a relação do poder econômico e das variáveis sociais impactam na felicidade dos indivíduos nos diversos países do mundo.

O jornalista Weiner (2009), a partir de um estudo com início em Roterdã, viajou por diversos países. O autor escolheu os países que figuram no ranking dos mais felizes do mundo, onde decidiu desenvolver os casos mais intrigantes observados, como por exemplo, a Islândia, que apesar de ser uma pequena ilha com invernos penosos, sua população está entre as mais felizes do mundo.

O intuito é ajudar na criação de políticas públicas que melhorem a qualidade de vida dos cidadãos, pois com este ranking, prefeitos, secretários, chefes de departamentos das mais diversas variáveis socioambientais dentro de cada segmento, podem melhorar o que se mostra deficitário no estudo, juntamente com a comunidade.

Este Índice pode servir de base de análise governamental, científica, política e norteador de melhorias no que tange à qualidade de vida dos cidadãos pertencentes a RMRP. Ao trabalhar com a Profa. Dra. Magda Adelaide Lombardo, na UNESP de Rio Claro, no curso de Doutorado, foi-se além de agregar índices socioeconômicos e estatísticos ao se abordar temas do meio ambiente e da felicidade.

E também no uso de geoprocessamento, ao conjugar aspectos socioeconômicos com o alinhamento geográfico, necessário para criar uma tese sobre indicadores ambientais em nível mundial (TONI JUNIOR, 2013), porém com variáveis diferentes, das propostas neste trabalho novo. Nota-se, no currículo Lattes, correlação entre aluno e supervisor no que tange à pesquisa nos temas de indicadores socioambientais, geoprocessamento, saúde e Bem-Estar.

O autor possui publicações em revistas de reconhecimento nacional e internacional, tais como: Revista Atos da UNESP de Presidente Prudente intitulado: GLOBALIZAÇÃO E TENDÊNCIAS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO DO BLOCO DOS PASES DO BRICS em seu vol. 2 n.14 (2014); RISUS-. Journal on Innovation and Sustainability ISSN 2179-3565 da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP) em edição.

A metodologia a ser usada na pesquisa se baseia na população absoluta de cada município, de acordo com o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2012, cujo período base será o ano de 2010, fonte metodológica adotada pelo PNUD (2011-2014). Salienta-se que os mapas serão realizados através da metodologia do estudo dos municípios por meio da inserção de fontes de referências tais como: renda per capita, saúde, educação, meio ambiente e violência urbana além de aspectos intangíveis da subjetividade (WEINER, 2009; IBGE, 2010).

Será apresentado o mapeamento das cidades ao mencionar que o espaço geográfico é múltiplo de articulações horizontais e verticais e que se modifica com o tempo e com seus fenômenos, a globalização é um deles, as sociedades se reestruturam e se diversificam (SANTOS 2006).

Por meio do uso de geotecnologias, para que se perceba o nível de felicidade dos habitantes em relação à qualidade de vida de forma comparada e com propostas inovadoras de inclusão de melhorias para estas vertentes, não apenas na teoria acadêmica, mas que este estudo sirva como fonte de melhoria sustentável da sociedade (MATIAS, 2004; TORRES, 2004).

Atualmente participa em vários eventos no contexto acadêmico da UNESP, tais como o II Seminário Sabores Geográficos em 2013 e o XII Seminário sobre Territórios Possíveis-Paradigmas da Geografia Contemporânea, em 2014, com apresentação de artigo científico, além de prestigiar os eventos da Instituição. No final da pesquisa será apresentado em Anexos, cartografia comparada entre a RMRP e a RMSP, para que se possa fazer analogia entre variáveis parecidas, além de dados de países sobre a felicidade mundial, como embasamento territorial de análise das cidades.

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