I Curso de Formação em Relações Étnico-Raciais e Combate ao Racismo do Movimento Negro Unificado do Ceará (turma Preta Si-moa): Saberes construídos na luta antirracista cearense

eISBN: 978-65-86101-26-3

Autor/Organizadores: Marco Antonio Lima do Bonfim; Francisco Jeimes de Oliveira Paiva

Dedicatória

Dedicamos este livro aos nossos ancestrais africanos e africanas que, com seu sangue, vida e axé edificaram e sempre reacendem a luta contra o racismo antinegro.
À Lélia Gonzalez e à Abdias do Nascimento, fundadora e fundador do Movimento Negro Unificado, símbolo da persistência e resistência quilombista entre nós.


I CURSO DE FORMAÇÃO EM RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS E COMBATE AO RACISMO DO MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO DO CEARÁ (TURMA PRETA SIMOA): SABERES CONSTRUÍDOS NA LUTA ANTIRRACISTA CEARENSE

Prefácio

O I Curso de Formação em Relações Étnico-Raciais e Combate ao Racismo no Brasil, planejado e executado pelo MNU-CE em parceria com o Mestrado Acadêmico Interdisciplinar em História e Letras da Universidade Estadual do Ceará, é aqui apresentado ao leitor na forma de um instrumento cuidadosamente organizado para a fixação dessa experiência como memória das nossas lutas antirracistas.

Composta de textos reflexivos das/os facilitadoras/es e das/os cursistas, essa publicação, sob a responsabilidade da com-panheira Ana Cristina Rodrigues da Silva – Coordenadora do GT Formação MNU-CE e do companheiro Marco Antonio Lima do Bonfim – Coordenador Municipal de Formação MNU – Fortaleza, é mais que o registro de muitas horas de trabalho. É parte dos nossos sonhos, como aquele que inspirou Martin Luther King, de vi-vermos em um país livre do ódio racial e de qualquer ódio.

É neste sentido que o presente livro avoca um caráter simbólico dado o momento crítico de exacerbação da “política como arma de guerra” – parafraseando a expressão empregada pelo filósofo e historiador camaronês Achille Mbembe. Desde o golpe de Estado que derrubou a presidente Dilma Rousseff e a posterior tomada do poder pela extrema direita, nas últimas eleições, vivemos no Brasil tempos sombrios.

Acompanhando Mbembe, o MNU considera que o atual governo brasileiro recorreu, de forma explícita, à mesma lógica da necropolítica adotada para a colonização, diasporização e escravização negra. A política de morte exercida pelo Estado colonial, representada, na ponta da ação coercitiva, pelo capitão do mato, é a mesma readaptada para a elaboração do infame “pacote anti-crime”, em tramitação no Congresso Nacional. O excludente de licitude ali defendido pelo atual ministro da Justiça é o imo da política de repressão praticada atualmente no estado do Rio de Janeiro, que tem como expressão máxima de poder a capacidade de decisão sobre quais vidas merecem ser vividas e quais corpos devem ser eliminados.

A violência da colonialidade europeia a partir do século XVI na África, com a ocupação de territórios, determinou a prática da matança de pretas e pretos nos seus lares. Os níveis da matança foram correspondentes à manutenção das exigências para o equilíbrio do mercado dentro e fora do Continente. A matança, que, por-tanto, ora figurava mais ou menos desenfreada conforme o planejamento para a maximização dos lucros obtidos com o comércio da nossa gente, no período escravista, tem continuidade na afrodiáspora brasileira, sem freios nenhuns nesse longo período pós-escravista que ainda não se concluiu.

A dominação branca tem, hoje, como parâmetro de recálculo no sistema capitalista reorientado pelas novas tecnologias e nova cadeia produtiva a exclusão das famílias de trabalhadores com baixa qualificação para o mercado cada vez mais sofisticado. Exclusão pelo abandono e pela fome, como sempre se fez, ou simplesmente abatendo, ainda na infância e na juventude, aqueles que se entende representar a maior ameaça para o mercado futuro, as pretas e os pretos nas periferias.

Realizar um curso de formação política dedicado sobretudo a docentes que compõem a maior rede pública de educação em uma grande capital brasileira, ao tempo em que gratifica aos seus organizadores também exige esforços que estão para além dos meses de sua realização. O método escolhido para o curso espera ampliar a formação política da militância do MNU no estado do Ceará, tendo em vista ações preventivas ao ambiente ameaçador à vida, que se configuram desde a identificação de traços neonazifascistas no âmbito das instituições nacionais, incluindo a escola, até a reação organizada, coletiva.

Contribuir para a luta antirracista no Ceará, problematizando estereótipos e mitos atribuídos aos corpos de pretas e pretos residentes neste estado; fortalecer as parcerias entre o MNU e as I CURSO DE FORMAÇÃO EM RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS E COMBATE AO RACISMO DO MOVIMENTO NEGRO UNIFICADO DO CEARÁ (TURMA PRETA SIMOA): SABERES CONSTRUÍDOS NA LUTA ANTIRRACISTA CEARENSE universidades públicas e/ou privadas atuantes em Fortaleza e regi-ão metropolitana; contribuir para a efetivação da lei 10.639/03 no Ceará; estimular a cada professora/or, a cada família que espera de nós a realização intelectual da sua criança ou jovem, à compreensão e à negação dos papéis sociais que nos foram destinados pelos colonizadores. É nossa tarefa de educadoras/as construir novos papéis sociais que nos permitam dar continuidade às lutas que buscam transformar a estrutura de poder político e simbólico deste país. Esses são os compromissos inarredáveis com os quais abrimos as páginas deste livro para quem se vê na proa da nau das/os educadoras/es, formais e informais, do Ceará.

2 comentários em “I Curso de Formação em Relações Étnico-Raciais e Combate ao Racismo do Movimento Negro Unificado do Ceará (turma Preta Si-moa): Saberes construídos na luta antirracista cearense

  1. DESCONHECIDOS E FAMOSOS AFROS BRASILEIROS.
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    È um trabalho de PESQUISA E RESGATE de nossos heróis e heroínas durante o período da escravatura no Brasil.
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    Aguardo seu contato.

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      Att Barbosa

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