Linguagens na educação infantil: olhares e vozes

eISBN: 978-65-86101-49-2

Autor/Organizadores: Poliana Bruno Zuin

Prefácio

Nestes tempos de significativas mudanças e tempestades políticas, a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) conquista espaço nas escolas e discussões científicas. Além das questões normativas, ocorre, nos dias atuais, uma multiplicidade de definições sobre o papel da Educação Infantil, o que provoca o escamoteamento dos parâmetros sobre teorias e práticas do campo das crianças pequenas.

Para ajudarmo-nos na reflexão a respeito do papel da Educação Infantil hoje, apreciaria muito, se fosse possível, conhecer a opinião de celebridades, como Alfredo Volpi, Anita Malfatti, Carlos Drummond de Andrade, Chimamanda Ngozi Adichie, Clarice Lispector, Jarid Arraes, José de Alencar, Lygia Fagundes Telles, Machado de Assis, Marisa Monte, Ruy Barbosa, Tarsila do Amaral e Yolanda Teixeira Monteiro.

Tenho certeza que obteria definições de naturezas heterogêneas e distintas a respeito da “Linguagem”, mas todas, provavelmente, ressaltariam a importância da Educação Infantil.

Podemos, assim, dizer que a “Linguagem”, além de não ser um reflexo fiel da realidade educativa, traz um quadro de questionamentos e possibilidades de trabalho pedagógico. A organizadora da obra “Linguagens na Educação Infantil: olhares e vozes”, Poliana Bruno Zuin, ilustra com muita propriedade, na apresentação, o compromisso com o campo multifacetado da “Linguagem” no contexto infantil. “Inúmeros caminhos que podemos percorrer para auxiliar as crianças da tenra infância a se apropriarem do mundo utilizando as suas diferentes linguagens para inserção e interação com o mundo a sua volta” (ZUIN, 2020, p. 5).

Na obra de Mikhail Bakhtin (2003), “Estética da Criação Verbal”, fica evidente a importância de estudo voltado para a “Linguagem” nas artes e nas ciências humanas com o objetivo de reconhecer o processo dinâmico da comunicação humana e das relações discursivas. O posicionamento teórico de Bakhtin mantém um diálogo afinado com a obra “Linguagens na Educação Infantil: olhares e vozes”, quando reserva em todos os capítulos para a criança ser sujeito do desenvolvimento de sua “Linguagem”. “Todos os diversos campos da atividade humana estão ligados ao uso da linguagem” (BAKHTIN, 2003, p. 261).

A grandiosidade da obra “Linguagens na Educação Infantil: olhares e vozes” aparece, ainda, quando explicita a luta pela democratização do ensino infantil e se preocupa em dar voz a docentes, futuros(as) professores(as), pesquisadores(as) e, principalmente, crianças pequenas. A citação das professoras Poliana e Amanda, retirada do capítulo “Práticas de letramento em uma sala de aula na Unidade de Atendimento à Criança – UAC/UFSCar, ilustra muito bem este compromisso:

[…] as crianças chegam às escolas com seus conhecimentos prévios e vivências em sociedade, assim sendo, o professor deve planejar suas atividades de acordo com a realidade das crianças, para a partir dela traçar os novos conhecimentos a serem ensinados. (HERMANN; ZUIN, 2020, p. 24).

Além de se apresentar como um campo fértil de aprendizagem, formação, desenvolvimento profissional docente, desafios, conquistas teóricas e práticas, o livro “Linguagens na Educação Infantil: olhares e vozes” enraíza a seriedade do aparecimento de situações de ensino que alarguem o universo das “Linguagens” no contexto da Educação Infantil. Revela um cuidado com as crianças pequenas e uma sensibilidade já no início do texto, pois um desenho sobre a realidade infantil inaugura a obra com excelência, pois é representativo da infância escolar de muitos leitores. É universal. A culminância da obra aparece, quando consegue registrar a “alma” das perspectivas das “Linguagens”.

Trata-se de um texto que indica possibilidades de crescimento afetivo emocional, social e intelectual com uma das demandas mais urgentes e necessárias da escola atual, qual seja, o ensino das “Linguagens”. Pela singularidade de suas características, recomendo a leitura da obra organizada pela Poliana às pessoas interessadas por uma educação infantil mais democrática e comprometida com a transformação social.

Maria Iolanda Monteiro
Professora da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar
Brasil – abril de 2020

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