Linguagens Híbridas na prática docente

ISBN. 978-85-7993-423-0

Autor/Organizadores:Jacob dos Santos Biziak; Jussara Isabel Stockmanns; Kátia Cilene S. S. Conceição

PREFÁCIO

DOS CAMINHOS QUE NÃO CONHECEMOS:
LINGUAGENS HÍBRIDAS

Ser convidada para prefaciar um livro que assume, em seu título, o caráter híbrido das linguagens produziu em mim um efeito instigante, pois na posição discursiva de quem fará o prefácio, ler este livro antes da maioria de seus leitores fez-me sentir privilegiada. Como pensar a linguagem, na contemporaneidade, sem considerá-la híbrida? Impossível. Por isso, o título do livro indicia o modo como a linguagem é concebida pelos autores dos capítulos que se seguem e aguça o desejo de leitura.

Soma-se a isso o momento de publicação deste livro. Saber da luta que se encerra para a implantação de um Programa de Pós-Graduação é motivo de celebração, ainda mais quando o Programa inicia-se com o coroamento da publicação do seu primeiro livro. Quantos sentidos de vida, de pesquisa, de conquista esperam pelo leitor nas páginas que se seguem. Importante destacar que os autores, docentes do Programa de Pós-Graduação do IFPR, escreveram seus capítulos imaginando alguns leitores especiais, quais sejam, os discentes do Curso de Pós-Graduação, Especialização em “Linguagens híbridas e educação” ofertado pelo IFPR – Campus Palmas, que encontrarão, neste livro, vozes que lhes ajudarão a caminhar pelos estudos da linguagem, vozes cujos ecos se cruzam e podem produzir sempre novos sentidos para cada leitor, para cada pesquisador. Por esses caminhos ainda não conhecidos, certamente, autores e leitores, docentes e discentes construirão muitos percursos e muitas interlocuções que enriquecerão os estudos das linguagens.

Pela via da linguagem, e não poderia ser por outra, o leitor refletirá sobre o conhecimento que sustenta uma prática pedagógica inovadora e democrática, considerando-se a complexidade de paradigmas na contemporaneidade. Os autores aqui reunidos preocupam-se com banalização de sentidos sobre o conhecimento e constroem seus capítulos visando a desconstruir sentidos corriqueiros sobre conhecimento e Educação. Para deleite do leitor, o livro traz capítulos que têm a literatura como objeto de estudo, os quais proporcionam uma leitura crítica em relação ao conhecimento produzido sobre literatura e as possibilidades de deslizamento para um novo modo de pensá-la. Por tratar-se de linguagens híbridas, estudos sobre literatura e cinema e sobre as tecnologias de comunicação enriquecem os capítulos que se seguem, “trançando” essa trama híbrida que é o infinito território da linguagem.

O leitor encontrará um posicionamento político assumido pelos autores, que tratam de seus objetos de estudo com muito rigor teórico. Um exemplo disso, dentre outros, pode ser dado com o capítulo intitulado “O lugar de “O segredo das tranças” nos acervos do PNE (2013/2013)”, que apresenta uma análise dos dados relativos à criação da lei 10.639/03, resultante de um longo processo histórico de revisão do currículo escolar brasileiro, ao incluir a obrigatoriedade do ensino de história e cultura africanas e afro-brasileiras.

Como nos diz, lindamente, João Cabral de Melo Neto, um galo precisará sempre de outro, que com tantos outros construirão um novo amanhã. E assim os sentidos deste livro lançam um grito dado pelas vozes de seus autores. São gritos em defesa de uma escola e de uma Educação mais comprometida com o conhecimento, com os sujeitos-escolares, sejam eles alunos, professores, auxiliares, enfim, com sujeitos que passam pela escola e nela têm o direito de acesso ao saber, às novas tecnologias, à literatura, ao cinema, à ciência para que dentro e fora da escola eles continuem sendo sujeitos de suas práticas de linguagem, e não sujeitos às exclusões de uma sociedade que não respeita aqueles cujo direito ao conhecimento foi negado.

O leitor será envolvido por um livro que se sustenta por um modo plural de pensar sujeito e linguagem, um livro que não se constrói segundo uma visão conteudista; ao contrário, a linguagem, neste livro, é tecido e é tecida tal qual o desejo de Manoel de Barros quando escreve “Pra meu gosto a palavra não precisa significar – é só entoar”. Boa leitura.

Soraya Maria Romano Pacífico
Outono de 2017

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