Narrativas estéticas, formação e ensino: trilhando rotas de pesquisas sobre educação estética

eISBN: 978-65-86101-85-0

Autor/Organizadores: Adriana Vaz; Rossano Silva; Anderson Roges Teixeira Góes

APRESENTAÇÃO

Este livro, produção do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Tecnologias e Linguagens – GEPETeL[1], reúne pesquisas desenvolvidas na disciplina “Tópicos especiais em teorias e práticas de ensino na educação básica I – Narrativas estéticas e culturais na Educação básica”, ofertada no Programa de Pós-Graduação em Educação: Teoria e Prática de Ensino (PPGE: TPEn) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), pela docente Adriana Vaz.

Os textos que compõem este livro abordam sobre o conceito de estética em diferentes chaves teóricas e metodológicas, abrangendo dez capítulos, decorrente das pesquisas de mestrado profissional em Educação, em andamento, e em consonância com a base teórica. A estética no ensino da Arte conexa à cultura usual e mediada em diferentes espaços educacionais, em que parte do debate se pauta nos “estágios de compreensão estética” propostos por Abigail Housen, alicerçam o Primeiro capítulo “O sentido da arte para o público do Museu Oscar Niemeyer: ponderações sobre a educação estética em espaços não formais”, escrito por Adriana Vaz; assim como, o Segundo capítulo “Experiência estética: o caminho para o ensino da arte”, de Neide Fior e Rossano Silva.

Abordando o corpo como objeto de estudo, na linguagem da performance ou na linguagem do teatro, temos o Terceiro capítulo “Educação performativa, sentidos e sensibilidades: um diálogo sobre formação continuada para professores de educação infantil e anos iniciais”, apresentados por Anne Caroline Pereira Arruda e Michelle Bocchi Gonçalves, e o Quarto capítulo “Aspectos teóricos e metodológicos do projeto de teatro vida em cena, com alunos do teatro II da Educação básica” escrito por Genice de Fátima Fortunato da Silva Fiaschi. Ambos se conectam com a estética pelo diálogo com Sandra J. Pesavento, quando as autoras apresentam o conceito de sensibilidade ao deslocarem a análise para o tempo presente. Esse conceito de sensibilidade no teatro ajusta-se ao que Augusto Boal define como pensamento sensível, na proposta de Genice em abordar sobre o racismo na escola.

Indiretamente a representação do corpo se faz presente em diversas pesquisas aqui apresentadas, embora o tema da identidade e da educação racial igualmente alicerçam o Quinto capítulo, “Narrativas sobre as diversidades culturais na escola: relações raciais e a literatura infantil na biblioteca”, redigidos por Fernanda Christina da Silva Castanheiro e Adriana Vaz; e o Sexto capítulo, “As experiências estéticas vivenciadas na relação entre a literatura infantil, a criança contadora de histórias e o público”, de Selma Soczecki Leal. Nesses dois capítulos o foco recai sobre a literatura: de um lado, pela valorização do espaço escolar em que a estética escolar se edifica em seus diferentes espaços de convívio, nos termos de Pablo Pineau, a exemplo do espaço temático Cantinho de Africanidades criado na biblioteca; de outro lado, por meio da contação de histórias, as crianças assumem o papel de “artistas”, sensibilizam o público e atendem parte dos pressupostos teóricos da definição estética de arte de Monroe Beardsley em pesquisa desenvolvida por Rosi Leny Morokawa.

Em outra direção, tanto o Sétimo capítulo “A fotografia como proposta de formação estética em língua portuguesa”, de Morgana Basso e Veronica Branco; como o Oitavo capítulo “Reflexões sobre o ensino de arte e a educação infantil: trajetos em construção para uma formação estética”, de Francisca Martins Gois e Anderson Roges Teixeira Góes, deslocam-se do ensino da Arte. O foco nesses dois textos é a interdisciplinaridade das linguagens artísticas com outros campos de saberes como a Língua Portuguesa e a Educação Infantil. Morgana fundamenta-se em Walter Benjamin, ao trabalhar com a fotografia e o gênero textual do cartão-postal, a autora registra o espaço escolar e seus usos pelo olhar dos alunos mobilizando a família pela troca de correspondência e sinalizando que as formas de comunicação entre os jovens se alteraram. Francisca e Anderson nos conduzem as reflexões sobre a formação estética das crianças pela junção entre os saberes oriundos da Arte e a prática do professor da Educação Básica, um caminho a ser trilhado e em constante transformação, que envolve a formação continuada do professor e a compreensão que a expressão gráfica é materializada por imagens (desenhos, pinturas etc.)

Também fora do ensino das Artes, no Nono capítulo, “A potencialidade do uso das imagens no processo de letramento pelo prisma da estética”, Ana Paula da Silva discute a importância da imagem durante as fases de letramento e enfatiza que a mediação estética no espaço escolar se constrói pelo (a) professor (a) em sua prática. Neste caso, a estética escolar nos termos de Pablo Pineau desprende a imagem (objeto de apreciação) do campo da Arte e da Filosofia, em que a memória afetiva de um belo universal, que Filosofia remete aos estudos de Kant, difere dos aspectos políticos que a estética agrega. Uma vez que a escola é rodeada de objetos e símbolos que educam o olhar esteticamente em sua dimensão ética e social, isto é, a estética escolar não atende à categoria clássica do belo e não é um campo de estudo exclusivo das Artes.

Na esteira de Pablo Pineau, em diálogo com Antonio Viñao Frago e Agustín Escolano Benito, no Décimo capítulo “Feira cultural: percepções sobre a estética escolar”, as autoras Fabiana Stolf e Adriana Vaz falam da quebra de rotina no espaço escolar e o protagonismo dos alunos jovens durante a Feira cultural realizada em uma escola estadual de Curitiba/PR. Nesse capítulo se problematiza que a escola possui uma estética própria conformando a cultura e os corpos ao seu modo.

Pela coletânea das pesquisas que compõem este livro: “Narrativas estéticas, formação e ensino: Trilhando rotas de pesquisas sobre educação estética”, conclui-se que o campo de estudo da estética suscita múltiplas vertentes teóricas e metodológicas, em que o mote entre autores e autoras está em associar a formação estética com a prática dos (as) professores (as), na posição de sujeitos-narradores ao valorizar a experiência sensível como lócus de ação, isto é, a experiência ancorada em Walter Benjamin e a formação estética como trajeto, relação e processo, cujo ponto central não está no objeto e sim nas relações que os objetos suscitam a partir dos modos de olhar e sentir de cada pessoa, posição teórica defendida por Jesús Martín-Barbero, Pablo Pineau, entre outros.

Em síntese, sinalizamos diferentes entradas teóricas-metodológicas que tematizam sobre estética em diálogo com o contexto educacional: 1) estética da recepção ligada aos estudos de Literatura; 2) estética pela Historiografia da Educação a partir dos descritores sentidos e sensibilidades; 3) estética no ensino da Arte interligada aos estudos da Cultura visual, 4) estética sociológica ancorada na Educação e representação do corpo.

Os organizadores:

Adriana Vaz

Rossano Silva

Anderson Roges Teixeira Góes

Junho, 2020.

1- O GEPETeL tem sua nascente na Universidade Federal do Paraná com professores do programa de Pós-graduação em Educação: Teoria e Prática de Ensino, linha de pesquisa Teorias e Práticas de Ensino da Educação Básica. O foco do GEPETeL está nas relações entre as temáticas Educação, Tecnologias e Linguagens no âmbito de processos educacionais escolares em diferentes níveis e modalidades da Educação Básica. Com isso, problematiza questões de ordem didático-pedagógica, cultural, filosófica, sociológica e técnica, pesquisando e produzindo metodologias inovadoras na interface com a formação da cidadania, diversidade, linguagens e projetos educacionais. Além disso, vislumbra as potencialidades do uso e do desenvolvimento das tecnologias nas práticas escolares e, especialmente, na formação de professores, apropriando-se, cientificamente, de convergências entre os estudos do currículo, tecnologias e linguagens, com pressupostos a análise contextual dos desafios da aprendizagem e sua relação com os letramentos e multiletramentos, que surgem na educação contemporânea.

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