Leituras sobre a sexualidade em filmes: identidades dissidentes e opressões. Vol. 7.

ISBN: 978-65-87645-07-0
eISBN: 978-65-87645-08-7

Autor/Organizadores: Leilane Raquel Spadotto de Carvalho; Ana Cláudia Bortolozzi

APRESENTAÇÃO

Leilane Raquel Spadotto de Carvalho

Neste sétimo volume da Coleção Sexualidade & Mídias, convidamos todos e todas para refletir, junto às propostas dos/as autores/as convidados/as, sobre a sexualidade e os estudos que dela derivam.

Nesta obra, nosso olhar volta-se para as identidades dissidentes e as opressões sociais que muitas vezes estão presentes em nosso cotidiano e recaem
sobre essas pessoas e quem com elas convivem.

A sexualidade, enquanto um conceito que engloba as relações, os afetos, os desejos, os valores de todos/as e cada um/uma de nós, atravessada e influenciada pela cultura e sociedade, nos evidencia a pluralidade de identidades e vivências.

As identidades dissidentes dizem respeito àquelas cuja identificação de gênero e/ou orientação sexual fogem ao que é tido socialmente enquanto norma: a cisgeneridade (se identificar com o gênero dado ao nascimento, baseado no sexo biológico/genital), a heterossexualidade (sentir-se atraído/relacionar-se afetiva e sexualmente com pessoas do gênero oposto) e a monossexualidade (relação afetiva/ sexual por apenas um gênero/sexo).

As pessoas que não se encaixam nessa norma, muitas vezes, sofrem pressão social por não estarem em um “padrão correto” de existir e de viver socialmente, sofrendo diversos tipos de opressões e preconceitos. Nesses grupos estão os/as LGBTQIA+[1], as mulheres, entre outros.

O Volume 7, “Leituras sobre a Sexualidade em Filmes: identidades dissidentes e opressões” traz dez capítulos em que a temática convergente são as identidades nãonormativas – ou que divergem da “norma” – e as opressões sociais impostas àqueles/las que não fazem parte de grupos hegemônicos e que não se encaixam no considerado “padrão”: trans, homossexuais, bissexuais, mulheres etc.

Temos um conjunto de capítulos que vai enfocar a subjetividade e a identidade, a partir da “fala” e da imagem de quem vivencia esses rótulos “trans”.

No Capítulo 1, Pose: reflexões acerca da construção do corpo travesti, da autora Leticia Carolina Boffi e do autor Manoel Antônio dos Santos, e no capítulo 4, Mala Mala: transgeneralidades e trajetórias geracionais, de Maiara Cristina Pereira e de Florêncio Mariano Costa Júnior, são apresentadas discussões sobre transexualidade e travestilidade, refletindo sobre o corpo e a cirurgia de transição de gênero.

Rogério Amador de Melo e Fernando Silva Teixeira-Filho, no Capítulo 2, Curta-metragem Rótulo: comendo mulher e dando pra homem – os desejos subvertendo a lógica identitária, refletem sobre as normas que são colocadas socialmente e muitas vezes são observadas até mesmo no discurso de quem está fora delas. Também sobre apontamentos das identidades trans, temos no Capítulo 3, Bixa travesty: reflexões queer sobre a sexualidade, o corpo e a identidade, Patricia Porchat que discorre sobre gênero e o modo de se identificar enquanto pessoa não-cisgênero e suas questões baseiam-se na teoria queer.

Há outro conjunto de capítulos que enfocam o entorno, o contexto social, familiar, religioso etc. e a construção das relações opressivas e preconceituosas.

No Capítulo 5, Rara: homofobia, heteronormatividade e disputa de guarda em famílias homoafetivas com filhas/os, da autora Mariana de Oliveira Farias, as temáticas são o padrão heteronormativo e a homofobia que recaem sobre as famílias homoparentais com filhos/as; e o Capítulo 7, Dente Canino: (r) existências na opressão, das autoras Leilane Raquel Spadotto de Carvalho e Ana Paula Machado Bonora, reflete sobre o papel da família e da cultura no desenvolvimento, na aprendizagem e na imposição de uma sexualidade normativa de seus membros.

Um terceiro grupo de capítulos agrupa as discussões sobre orientações sexuais e padrões de feminilidades/ masculinidades.

As autoras Ana Beatriz Venturin e Bianca Longhitano, no Capítulo 9, Brooklyn nine-nine: discussões sobre a bissexualidade de Rosa Diaz, discutem os mitos e os preconceitos que cerceiam a bissexualidade, por meio da personagem Rosa e suas relações familiares, profissionais e afetivas.

No Capítulo 6, Rafiki: o poder político, social e religioso no controle dos afetos homossexuais, as autoras Laura Cunha Hanitzsch e Mirela Bosco, discutem sobre as relações homoafetivas em contextos em que há uma forte marca de opressão política, religiosa e social, e na mesma direção, o Capítulo 8, Repulsa ao sexo: a opressão sobre a feminilidade, os/as autores/as George Miguel Thisoteine, Brenda Sayuri Tanaka e Andre Luiz Gellis, trazem a reflexão sobre as opressões que recaem sobre a mulher, e como isso reflete em sua sexualidade (manifestação, comportamentos e vivências).

Finalmente, o Capítulo 10, Os Flintstones e a representação da mulher em um desenho infantil dos anos 1960, dos autores Paulo Eduardo Aragon Marçal Ribeiro e Paulo Rennes Marçal Ribeiro, relembra na famosa animação dos anos 60, os padrões heteronormativos e de gênero, refletindo sobre as configurações familiares e as normas sociais da época.

Os/as autores/as, apresentando os argumentos teóricos, as descrições dos materiais e suas análises, evidenciam que aqueles/as que vivem à margem do “modelo” socialmente imposto como ideal ou correto sofrem diversos tipos de interdições, violências, silenciamentos e opressões.

Apesar de, atualmente, os movimentos sociais pela igualdade em diversos aspectos inclusive o sexual, terem ganhado certa força, é importante constantemente pensar, discutir e problematizar sobre as identidades dissidentes. A pluralidade de maneiras de sentir, viver, se relacionar e se expressar sempre existiu, e é tarefa de todos/as e de cada um/a refletir o seu papel enquanto cidadão/ã que contribui para uma sociedade mais justa, igualitária e que respeita as diferenças.

Boa reflexão e boa leitura a todos!

1 Sigla dos termos Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans (transgêneros, transexuais, travestis), Queer, Intesexo, Agênero e + (demais identidades).

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