Acolhimento na educação infantil em tempos de pandemia da Covid-19

Acolhimento na educação infantil em tempos de pandemia da
Covid-19

ISBN: 978-65-5869-099-3

Autor/Organizadores: Poliana Bruno Zuin

Prefácio

A coletânea “Acolhimento e uso de tecnologias na Educação Infantil” organizado por Poliana Bruno Zuin, aborda temática relevante, nestes tempos de pandemia, ao trazer para o seu leitor uma discussão pertinente sobre o tema e apresentar boas alternativas de atuação prática de uma problemática ainda em construção.

As primeiras semanas após o anúncio do isolamento social de diferentes segmentos da sociedade ficaram atônitos sem saber qual atitude tomar ao terem que lidar com situações insólitas resultantes da necessária permanência de adultos e crianças em casa. Exemplos frequentes desta nova situação podem ser indicados: pais e filhos confinados em espaços físicos insuficientes para garantir o seu conforto e tranquilidade ao longo das várias semanas que se seguiram; famílias sem saber o que fazer para entreter adequadamente seus filhos; pais, mães e crianças disputando celulares, tablets e computadores; internet lenta derivada do uso intenso; pais e mãe tendo que trabalhar no regime home office e simultaneamente estar com as crianças nos mesmos espaços. Outras situações mais complexas e difíceis também têm sido enfrentadas: desemprego em massa crescente; famílias dispondo cada vez menos de recursos financeiros mínimos de sobrevivência; pessoas contagiadas com COVID19 muitas vezes sem ter conhecimento, convivendo em condições precárias impeditivas do distanciamento social de seus familiares e amigos, além de internações e mortes inesperadas em função da pandemia.

Um outro desdobramento importante, é que dentre diversos setores da sociedade, a escola se destaca ao compor um cenário no qual cerca de 70% das crianças e jovens em idade escolar no mundo (2020)[1] deixaram de frequentá-la fisicamente. Para a continuidade da aprendizagem de todos estudantes algumas iniciativas têm sido adotadas por meio de canais alternativos e da adoção de inúmeras opções como as observadas na rede pública do estado de São Paulo: Fechamento suspensão das aulas por tempo indeterminado Educação a distância o governo estadual negociou com operadoras telefônicas gratuidade ou patrocínio para estudantes sem acesso em seus dispositivos móveis. Por meio de material didático construído em face a pandemia, a rede estadual tem oferecido aulas virtuais aos alunos do Ensino Fundamental e Médio.

               *Alimentação distribuição de merenda aos mais vulneráveis.

               *Plano de reabertura em planejamento a reabertura em fases.

A despeito dessas medidas na esfera estadual, observa se que as redes particulares e municipais têm apresentado respostas próprias e diversificadas. A rede particular tem adotado a educação a distancia como recurso para manter contato com os alunos e em alguns casos ministrar videoaulas ou lives Já nas redes municipais, observa se uma grande variedade de alternativas adotadas nas escolas e seus professores para manterem contato com os alunos e eventualmente ministrarem aulas. Certamente o s desdobramentos dessas ações sobre a aprendizagem dos conteúdos escolares dos estudantes será muito diversa e os resultados decorrentes trarão a marca cada vez maior d o fosso social e educacional de nosso país.

Além desses aspectos mais gerais sobre a educação escolar nestes tempos de pandemia, destacam se três outros que se mostram importantes.

Um deles refere se a Educação Infantil que dada as suas especificidades se apresenta de maneira desafiadora para ser ministrada de modo não presencial. Tem como propósitos, a partir dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento das crianças, que a escola promova situações para que possam conviver brincar; participar, explorar, expressar-se e conhecer-se dentro de dos cinco campos de experiência: o eu, o outro e o nós; corpo, gestos e movimento; traços, sons, cores e formas; escuta, fala,  pensamento e imaginação; espaços, tempos, quantidades, relações e transformações (2018)[2] o que no geral exige a proximidade física de um adulto (educador ou professor).

O outro aspecto relaciona se a pouca familiaridade de professores e educadores de Educação Infantil em atuar com recursos da educação a distância, mediante a necessidade do distanciamento físico, o que têm gerado dificuldades para atuar, fato observado também nos demais níveis e modalidades de ensino. Muitas mudanças ocorreram na vida desses profissionais desde o início da pandemia, incluindo as dificuldades evidenciadas para conciliar o trabalho docente com atividades domésticas e ainda cursar programas de formação para atuar virtualmente. Outros fatores relacionados à mudança na atuação docente foram registrados pela Fundação Carlos Chagas[3] a partir de uma pesquisa realizada com 14.000 professores do país inteiro. Dentre elas podem ser citadas:

               *Rotina do trabalho: Para mais de 65% das respondentes, o trabalho pedagógico mudou e aumentou, com destaque para as atividades que envolvem interface e/ou interação digital. Dentre as estratégias utilizadas pelas professoras, ressalta se o uso de materiais digitais via redes sociais, e-mail, WhatsApp, etc.) em todas as etapas/modalidades.

               *Estratégias educacionais: Quase oito em cada dez professoras afirmam fazer uso de materiais digitais via redes sociais como estratégia educacional. Na Educação Infantil, 60% dos professores apontam o envio de orientações às famílias para estímulo e acompanhamento das atividades realizadas em casa.

               *Efeito do contexto: 49,3% das professoras acreditam que somente parte dos alunos consegue realizar as atividades. A expectativa em relação à aprendizagem diminuiu praticamente à metade.

               *Relação Escola Família: Quase a metade das professoras indica um aumento da relação escola família e do vínculo do aluno com a família (FCC, 2020)

O terceiro aspecto corresponde à relação escola famílias que historicamente tem se dado em meio a um conjunto de tensões, das quais, sem a pretensão de esgotá-las, podem ser mencionadas: as expectativas diversas nutridas por cada uma destas agências educacionais; à compreensão mútua dos limites e potencialidades da atuação de cada uma delas; a manutenção de um diálogo hierárquico com certa frequência entre escola famílias e entre professores pais de alunos e o desconhecimento mútuo dos objetivos e práticas de cada uma tendo em vista as características de seu contexto e dos grupos atendidos.

Ao analisar a coletânea “Acolhimento e uso de tecnologias na Educação Infantil observa se que vem ao encontro das problemáticas da educação em geral e especialmente para este nível de ensino como as citadas anteriormente, considerando o contexto da sala da Professora Poliana na Unidade de Atendimento à Criança, Universidade Federal de São Carlos (UAC UFSCar). A organizadora ao indicar ter como propósito auxiliar profissionais da Educação Infantil, leva em conta as ações de parceria e dialoga com as famílias” (Primeiras Palavras) materializando o diálogo construtivo realizado entre escola e famílias, por meio de sua documentação.

Essa interação ocorreu, principalmente por meio do WhatsApp, aplicativo de comunicação amplamente utilizado em nosso país nos primeiros meses da pandemia. As experiências propostas e vivenciadas de acolhimento das famílias e suas crianças estão sumarizadas nos capítulos que foram reunidos em duas partes, a saber: 1ª Parte relatos sobre pr áticas pedagógicas, sob o olhar da professora e de sua equipe de trabalho e 2ª Parte – as experiências das famílias em suas casas com as crianças durante a pandemia com sugestões de atividades semanais propostas pela professora Poliana da UAC UFSCar.

Inúmeros temas foram abordados pela professora e seu grupo de orientandos nos dez capítulos que compõem a 1ª Parte: os aspectos emocionais e o cuidado com a pequena infância; o uso da Língua Brasileira de Sinais (na expressão de emoções e sentimentos; a LIBRAS, a Terapia Ocupacional e os sentimentos nas interações escola família; sugestões de atividades da Terapia Ocupacional para as famílias realizarem com as crianças; a cozinha como espaço de convivência; o jardim e o cultivo; brincadeiras em família; o aprendizado sobre animais; facilidades e dificuldades na/das interações e parcerias professores famílias.

Na  2 ª Parte são apresentados nove relatos de experiência de famílias nas suas vivências na quarentena, seguindo ou não as atividades sugeridas pela docente da UAC. Nas narrativas são descritas além do comportamento das crianças em face há um período sem escola; os medos, receios e angústias principalmente dos familiares, mas também trocas, sugestões e novidades criativas realizadas com a escola e seus professores. Seguramente as ações empreendidas resultam na construção de novos conhecimentos nas crianças e de seus familiares, a despeito de algumas dificuldades para que fossem realizadas. Da parte da professora e seu grupo de educadores, seu profissionalismo é reiterado ao enfrentarem ativamente as adversidades da docência na Educação Infantil em tempos de pandemia.

Deseja se a to d o s uma leitura inspiradora, afinal trata se de um trabalho coletivo relevante e potencialmente gerador de novas aprendizagens aos seus diversos participantes diretos e indiretos. Os conteúdos abordados (acolhimento dos pais e destes para com seus filhos, sentimentos e emoções, o uso de diferentes espaços de aprendizagem e desenvolvimento e linguagens e as experiências familiares) apontam para demandas de uma escola diferente e são tratados com bases teóricas e metodológicas reconhecidas. As ideias apresentadas e discutidas são reflexos de uma parceria dupla, muito relevante dado o seu potencial para mudanças da escola: entre professores na escola e da escola com as famílias de seus alunos e que, independente de algumas tensões de cada um dos lados, mostra-se virtuosa e provavelmente permanente.

São Carlos, 3 de agosto de 2020.

Aline M. de M. Rodrigues Reali

8 comentários em “Acolhimento na educação infantil em tempos de pandemia da Covid-19

  1. Em tempos de pandamemia acredito eu que as crianças estāo sendo prejudicada no seu desenvolvimento e rendimentos escolar nem sempre se tem recursos para trabalhar . A “eduçao infantil a distância e inadinadequada” deveria conter um diálogo ou informações mais clara com os famíliares..

    1. Em tempos de pandamemia acredito eu que as crianças estāo sendo prejudicada no seu desenvolvimento e rendimentos escolar nem sempre se tem recursos para trabalhar . A “eduçao infantil a distância e inadinadequada” deveria conter um diálogo ou informações mais clara com os famíliares..

  2. É tudo tão complicado! Se para o professor está difícil, imagina para as crianças e para as famílias, que agora estão com a missão de ajudar, muitas vezes sem nenhuma estrutura, a criança na realização das atividades propostas. Nesse momento, parece que tudo que se lê a respeito, parece incompreensível.

  3. Complicado esse período que estamos vivendo não está sendo fácil para nós é nem mesmo as criancas que tem uma certa dificuldades com as atividades pq os seus pais não tem nenhuma condições de está ajudando na realização das atividade, tem aquelas pessoas que nem mesmo tem internet e ou não tem o celular para da continuidades as aulas remotas, tudo isso é preocupante…

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