Saberes e atuações em sexualidade

ISBN: 978-65-5869-002-3

Autor/Organizadores: Ana Cláudia Bortolozzi; Leilane Raquel Spadotto de Carvalho; Mirela Bosco; Tamires Giorgetti Costa

APRESENTAÇÃO

Este livro reúne capítulos de pesquisadores/as integrantes e/ou convidados/as do Grupo de Estudos e Pesquisa em Sexualidade, Educação e Cultura- GEPESEC[1], cadastrado junto ao CNPq, na área da Psicologia, e subárea Psicologia do Desenvolvimento Humano, reconhecido pela instituição Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP e vinculado ao Departamento de Psicologia e à Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem da Faculdade de Ciências, da Unesp, campus de Bauru.

O GEPESEC foi criado em 2006 pela professora Ana Cláudia Bortolozzi, docente da Unesp, que é também coordenadora do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Sexualidade Humana (LASEX), que existe deste 2012 com sede inaugurada no campus da Unesp de Bauru em 2015. É no LASEX que ocorrem todas as atividades de ensino relacionadas às disciplinas da graduação em Psicologia sobre sexualidade, especialmente àquelas vinculadas à extensão, aos projetos de intervenção em estágio supervisionado e ao aprofundamento da temática em reuniões de estudo; também é o espaço em que funcionam todas as atividades do GEPESEC.

O objetivo do GEPESEC é proporcionar um espaço acadêmico de formação na área da sexualidade e educação sexual, bem como para o desenvolvimento de ações de pesquisa e de extensão. Espera-se contribuir para melhorar a qualidade da saúde sexual e reprodutiva, a diminuição de preconceitos e discriminações, a prevenção das violências de gênero, o combate à homofobia, etc.

Assim, são realizadas as seguintes ações:

• Reuniões de alunos/as, pesquisadores/as e docentes, que têm em comum a temática da sexualidade humana com intersecção aos diferentes problemas de pesquisa ou focos de intervenções/programas de educação sexual;
• Atividades de pesquisas em diferentes níveis: iniciação científica, mestrado e/ou doutorado;
• Atividades de Estudo: grupos de estudo, aulas e supervisões;
• Atividades de Intervenção: planejamento e realização de eventos acadêmicos e científicos, de programas e cursos de extensão, de programas de extensão em educação sexual e/ou de projetos de estágio supervisionado em educação sexual em escolas, instituições educativas não governamentais (ONGs), etc.

Nos últimos anos, a produção do GEPESEC[2] tem sido registrada em vários materiais, como dissertações e teses, trabalhos apresentados em eventos, organização e escrita de capítulos de livros, artigos em periódicos, criação de materiais didáticos e educativos para intervenções em educação sexual, etc.

Em uma das ações formativas do Grupo de Estudos e Pesquisa em Sexualidade, Educação e Cultura (GEPESEC), pudemos compartilhar nossas experiências de pesquisas e estudos e debatê-las com a comunidade, em um evento realizado em julho de 2020. Organizado por Ana Claudia Bortolozzi, Leilane R. Spadotto de Carvalho, Mirela Bosco e Tamires Giorgetti Costa, tendo como equipe de apoio e mediação Brenda Sayuri Tanaka, Daniel de Medeiros Gaiotto, Debora de Aro Navega, Laura Cunha Hanitzsch e Tatiana Pereira dos Santos (Sá), o II ENCONTRO DO GEPESEC: SABERES E ATUAÇÃO EM SEXUALIDADE aconteceu na modalidade online[3], nos dias 27 a 31 de julho, com uma programação diversa em temáticas convergentes à sexualidade e gênero. As palestras e mesas redondas abarcaram eixos temáticos como a questão de gênero no Transtorno do Espectro Autista (TEA); as demandas em sexualidade na prática clínica de psicologia; os aspectos preventivos da sexualidade; o gênero e a sexualidade em mídias e as questões étnico-raciais na sexualidade.

Em decorrência dessa rica experiência e das apresentações brilhantes dos/as convidados/as, chegamos a este livro que reúne textos desses/as pesquisadores/as. Tais materiais apresentam as questões teóricas, mas também referências complementares, dicas de vídeos e sugestões de leituras.

Assim, no Capítulo 1, de Ana Carla Vieira Ottoni e Ana Cláudia Bortolozzi, “Autismo azul? Questionamentos sobre identificação e diagnóstico de mulheres no espectro”, vamos encontrar a reflexão e discussão sobre o tema gênero no que diz respeito ao diagnóstico e composição da comunidade autista. As autoras colocam a questão do subdiagnóstico e diagnóstico tardio de mulheres no espectro, refletindo sobre as possíveis razões que resultam nesse cenário.

No Capítulo 2 “Sexualidade, diversidade sexual e ética na psicoterapia comportamental de queixas sexuais”, de Florêncio Mariano da Costa Jr., é abordado pela óptica do Behaviorismo Radical como as intervenções terapêuticas para queixas sexuais reproduzem, muitas vezes, o padrão normativo e binarista de gênero. O autor problematiza os princípios éticos e direitos sexuais nos manuais e na prática clínica.

O Capítulo 3 “Aspectos psicossociais na prevenção da sífilis e de outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST)”, de Débora de Aro Navega e Ana Cláudia Bortolozzi, traz uma reflexão sobre os aspectos psicossociais na prevenção de sífilis e de outras IST, em que explora a importância de debater a temática, tanto com os usuários do serviços de saúde quanto com os profissionais – para a prevenção, enfrentamento e aprimoramento do diagnóstico. As autoras embasam a discussão na perspectiva da promoção dos direitos sexuais e redução de vulnerabilidades.

Tatiana de Cássia Ramos Neto e Ana Cláudia Bortolozzi, no Capítulo 4, “Saúde sexual e envelhecimento: apontamentos sobre a prevenção” dialogam sobre sexualidade e envelhecimento. A saúde sexual durante essa fase do desenvolvimento é pouco discutida nas pesquisas nacionais e nas cartilhas que vislumbram a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. Pensar nessas questões, para as autoras, é questionar diferentes concepções e estigmas que dessexualizam os(as) idosos(as) e invisibilizam os conteúdos sobre saúde sexual para essa população.

Já no Capítulo 5, “Violência baseada em gênero na escola: uma análise do papel da mídia”, Maria Flor Oliveira Di Piero e Ana Cláudia Bortolozzi apresentam a temática de violência baseada em gênero na escola (VBGE), em que os atos e ameaças podem ser feitos dentro ou fora do âmbito escolar. A escassez de estudos sobre essa temática dificulta no reconhecimento e registro da VGBE. As mídias – devido a amplitude de conteúdos expostos e discutidos, têm o papel facilitador de denunciar as violências e explicitar o formato em que ocorrem.

No Capítulo 6, “Educação Sexual com grupo de adolescentes: propostas de ações para o diálogo sobre experiências de consumo de bebidas alcóolicas”, Marcela Pastana e Ana Cláudia Bortolozzi tratam de um tema complexo e bastante atual entre a juventude que é o consumo de álcool, e apresentam ricas discussões da relação disso com a sexualidade e gênero. Além disso, com exemplos e indicações de materiais e dinâmicas, enriquecem a temática falando de propostas educativas de educação sexual nas escolas.

E finalmente no Capítulo 7 “Segundo sexo, segunda raça? Reflexões sobre as intersecções de gênero, raça e sexualidade”, Elisabete Figueroa dos Santos traz uma discussão sobre a construção histórica e social das intersecções entre sexualidade, gênero e raça. A hipersexualização e objetificação da mulher negra são pautados como resultantes do patriarcado, machismo e racismo que atuam para que diferentes estereótipos impeçam a vivência de sua sexualidade e afetividade, assumindo o posto de “antimusa”. A autora ressalta o exercício autônomo da sexualidade da mulher negra e seu preterimento afetivo quando comparada às mulheres brancas, e como tais desdobramentos podem resultar em sua solidão, exotição e repulsa de sua sexualidade.

Ao final de todos os capítulos, os/as autores/as gentilmente responderam algumas das perguntas enviadas ao final do nosso encontro que, não foram possíveis de serem respondidas no momento do evento devido ao pouco tempo, e que podem ser de interesse coletivo.

Todas as discussões são pertinentes, atuais e necessárias no cenário da educação inclusiva. Esperamos que este livro seja útil para todos/as que puderam ouvir nossos/as pesquisadores/as e também àqueles/as que não tiveram a oportunidade de participar do II ENCONTRO DO GEPESEC: SABERES E ATUAÇÃO EM SEXUALIDADE. Almejamos também que possa incentivar a outras pessoas na investigação de outras temáticas que complementem e enriqueçam outras reflexões e discussões na área da sexualidade e da educação sexual.

Boa leitura!

Primavera de 2020
As organizadoras

1- Link para acesso ao grupo na página CNPq: dgp.cnpq.br/ dgp/espelhogrupo/7999536725438698
2- Outras publicações vinculadas ao GEPESEC com a Editora Pedro & Joao, encontram-se ao final do E-book.
3- A modalidade on line ocorreu devido o contexto da pandemia do COVID 19 que impõe o isolamento social.

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