Gêneros textuais e ensino: propostas metodológicas de leitura e escrita

eISBN: 978-65-87645-99-5

Autor/Organizadores: Fernanda Borges Ferreira de Araújo; Ilioni Augusta da Costa; Tatiana Aparecida Moreira

APRESENTAÇÃO

A publicação Gêneros textuais e ensino: propostas metodológicas de leitura e escrita reúne artigos produzidos por alunas e alunos do Mestrado Profissional em Letras, Profletras, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes), como atividade da disciplina Produção de Texto e Ensino, no semestre de 2019/1, cujo propósito é a reflexão sobre o ensino de língua portuguesa.

Os artigos apresentam Sequências Didáticas, conforme proposição de Scheneuwly e Dolz (2004), para o desenvolvimento do trabalho com gêneros textuais/discursivos, orais e escritos, atendendo às orientações da Base Nacional Comum Curricular, Ensino Fundamental, segundo a qual devemos “Compreender as linguagens como construção humana, histórica, social e cultural, de natureza dinâmica, reconhecendo-as e valorizando-as como formas de significação da realidade e expressão de subjetividades e identidades sociais e culturais (BRASIL, 2017, p.67 ).

Nesse sentido, os textos partem do pressuposto de que o homem constitui-se na e pela linguagem que, por sua vez, materializa-se por meio dos gêneros textuais/discursivos. A linguagem, dessa forma, utilizada por sujeitos ativos e responsivos, é concebida como ação dialógica situacionalmente localizada, num dado cronotopo (BAKHTIN, 2010), tempo e espaço; numa relação interativa entre os sujeitos.

Ressaltamos que o tempo e o espaço de produção dos artigos não são os mesmos da organização da obra, tendo em vista que estamos no ano de 2020, marcado por uma pandemia: a do novo coronavírus. Pandemia que nos afeta de várias maneiras, principalmente, a nós que somos docentes e estamos lecionando de forma remota (online) e tendo que conviver com o que mais se realçou, nesse contexto: a brutal desigualdade social existente em nosso país, em diálogo com a exclusão digital, também característica deste cronotopo.

Mas, mesmo diante de tal situação, nossa perspectiva de ensino e aprendizagem tem sido, cada vez mais, aquela que vai ao encontro de uma prática educativo-crítica, tal qual proposta por Freire em vários de seus escritos; e os textos que você, leitor, encontrará nesta coletânea também se inserem nesse cenário.

Assim, as discussões suscitadas pelos discentes do Profletras, colegas de profissão, têm como foco a compreensão de que leitura e escrita são processos resultantes de práticas discursivas sociais multifacetadas, em que texto e discurso estão imbricados e em que o(s) sentido(s) é(são) produzido(s) num trabalho de cooperação entre os sujeitos da enunciação, a partir da tríade interacional autor-texto-leitor.

Desse modo, os sujeitos aqui, nomeadamente, docentes da educação básica, assumem-se como seres sociais, históricos, pensantes, comunicantes, transformadores, criadores, realizadores de sonhos, capazes de ter raiva, porque também são capazes de amar, tal qual nos faz refletir Freire (1996). E isso faz com que as atividades encetadas por nossos colegas de trabalho, nesta coletânea, nos levem à seguinte reflexão: “Valeu a pena” a proposição de elaboração de textos com base em Sequências Didáticas para a disciplina Produção de Texto e Ensino? E respondemos, ainda com versos de Fernando Pessoa, em Mar Português, “Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena”. Sim. Valeu a pena! Houve compartilhamento de conhecimentos e práticas.

Destacamos, outrossim, a relevância do Mestrado Profissional em Letras, Profletras (Ifes), cujo diálogo permanente com profissionais que atuam na educação básica, promovendo e alargando a formação continuada desses profissionais, faz com se (re)vivifiquem novas maneiras de enxergar os diversos outros com os quais interagimos em nosso cotidiano, na práxis educacional, principalmente, o estudante, já que é preciso entender que “A assunção de nós mesmos não significa a exclusão dos outros. É a ‘outredade’ do ‘não eu’, ou do tu, que me faz assumir a radicalidade de meu eu (FREIRE, 1996, p. 18, grifos do autor). Em outras palavras, a busca por uma educação cujo protagonismo do alunado é uma realidade. Educação que vise à autonomia do estudante, em sua formação cidadã, que é também política, e de seu desenvolvimento, enquanto ser social, que pode ocupar vários lugares, na sociedade e em suas singulares e plurais vivências.

Vivências que também dialogam com os textos aqui elaborados e que foram muito bem destacados pelos professores Dr. Luciano Novaes Vidon (Ufes) e Me. André Effgen de Aguiar (Ifes), a quem agradecemos, o primeiro por elaborar o prefácio e o segundo por escrever o posfácio, ressaltando que ambos engrandecem ainda mais as contribuições dos textos desta coletânea. E não nos atrevemos a dizer mais sobre os textos, pois Vidon e Aguiar teceram considerações vigorosas e muito potentes.

Já nos encaminhando para o acabamento desta apresentação, esperamos que este trabalho contribua para que outros colegas também possam ter novos olhares e novas possibilidades para a sua práxis e que a partilha de saberes e fazeres desta obra não se esgote com a finalização dos escritos deste livro.

Desejamos boas leituras!

Fernanda Borges F. Araújo
Ilioni Augusta da Costa
Tatiana Aparecida Moreira

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