As TDIC e o/no ensino presencial

ISBN: 978-65-5869-050-4

Autor/Organizadores: José Anderson Costa Gomes; Verônica Maria de Araújo Pontes

Prefácio

As competências digitais tornaram-se num dos grandes desafios para os professores deste século. Apesar dos esforços desenvolvidos por vários governos em todo o mundo, encontramos várias fragilidades em muitos projetos de investimento público para a inserção das tecnologias nos sistemas educativos. Na liderança dessas fragilidades, está a formação inicial e continuada de professores.

A realidade tem revelado um desiquilíbrio entre os gastos nos equipamentos tecnológicos e na formação, com claro prejuízo para esta última.

Do continente europeu ao continente americano, assistimos à construção de referenciais internacionais no âmbito das competências digitais para a formação de professores. No quadro de recomendações da UNESCO, através do “Competency Framework for Teachers” são apresentadas dezoito competências, distribuídas em sessenta e quatro objetivos, desafiando os professores para uma utilização didática das tecnologias digitais ao nível, por exemplo, do currículo, da avaliação, da gestão das turmas, do desenvolvimento de competências digitais, na organização escolar e do desenvolvimento profissional. A União Europeia, através do Quadro Europeu de Competência Digital para Educadores (DigCompEdu), elenca vinte e duas competências organizadas por seis áreas, visando a apresentação de um modelo para avaliar as competências digitais dos cidadãos europeus e, desse modo, incentivar a inovação educacional.

No contexto educativo da américa do sul, o Ministério da Educação do Chile, apresenta cinco dimensões para agrupar as competências tecnológicas dos professores: dimensão pedagógica, dimensão técnico-instrumental, dimensão de gestão, dimensão socialética e dimensão e desenvolvimento profissional.

A preocupação pelas competências digitais dos professores deve-se ao fato de garantirmos que temos professores preparados para fazer face aos desafios de uma sociedade tecnológica onde as crianças e os jovens vivem imersas em dispositivos móveis, aplicativos e redes sociais. A escola tem urgência em desenvolver iniciativas que a torne atrativa perante os desafios que a tecnologia, de modo simples, conquista juntos dos alunos deste século.

Recentemente, ouvia um professor dizer que “os alunos gostam da escola, mas não gostam das aulas”. Precisamos encontrar metodologias que adequem a escola e as aulas ao perfil dos “novos” alunos, mais curiosos, com mais conhecimentos prévios, com acesso a mais informação e com necessidade de um papel mais ativo nos processos de aprendizagem.

A inovação educacional pode ser um dos caminhos a trilhar para um novo puzzle no mundo da educação. O mundo está repleto de professores inovadores. As experiências de inovação precisam ser multiplicadas e disseminadas como fez Alfredo Calvo, psicólogo espanhol, ao divulgar dezenas de casos de sucesso e que foram publicados na obra “Viagem à escola do século XXI”.

Acredito que um dos caminhos mais profícuos para a inserção das tecnologias digitais no ensino é a partilha de experiências entre professores. Nesse sentido, acredito que esta obra, pela experiência dos seus organizadores e dos professores autores dos vários textos, apresenta-se como um significativo contributo para conhecer metodologias, recursos tecnológicos e conquistas nos processos de ensino e aprendizagem.

Os quatorze textos desta obra, reúnem experiências do ensino das ciências, da língua portuguesa, da língua estrangeira, da história, da matemática e da estatística. Essa diversidade de áreas, torna esta obra como relevante para um vasto leque de professores da educação básica que, motivados pelo potencial educativo das tecnologias digitais e inspirados pelas experiências apresentadas pelos autores destes textos, encontrarão rumos seguros para um novo paradigma educativo.

Além disso, os textos desta obra, encontram-se alinhados com as propostas pedagógicas apresentadas pela Base Nacional Comum Curricular, permitindo uma utilização das tecnologias, não apenas para obter conhecimentos escolares, mas para proporcionar a sua aquisição de forma integrada. Como corolário, encontramos na obra reflexões quanto à formação de professores e à utilização das redes sociais no ensino.

Passadas duas décadas dedicadas a projetos de formação e implementação das tecnologias no ensino, reitero a relevância de dar voz aos professores, uma voz de partilha e uma voz da experiência.

A formação continuada de professores, deve ser liderada pelos professores, entre professores e para professores. Essa formação continuada e permanente, pode acontecer através de uma obra como esta.

Parabéns aos organizadores pela sapiência na escolha dos textos.

Parabéns aos autores por abraçarem o desafio da inovação educacional através das tecnologias digitais. Aos leitores, professores ou pesquisadores, boas leituras e que trilhem novos caminhos que permitam a transformação da educação.

outubro de 2020

Luís Miguel Dias Caetano

Doutor em Educação
Universidade da Integração Internacional
da Lusofonia Afro-Brasileira

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